domingo, 16 de janeiro de 2022

da solidão / 2022-01-15


 

da solidão / 2022-01-15


Diz-se que “somos todxs um”, que todos fazemos parte da mesma consciência universal. Talvez. Também “somos todxs um”. Uma consciência una, individual, particular. É essa particularidade, ou essas particularidades, que tornam esse processo dito vida tão … singular.

A vida faz-se também de muitas partidas. É um processo dinâmico … em constante movimento, por muito que muitas vezes entre a nossa capacidade de percepção desses movimentos e a velocidade a que eles ocorrem, exista um desfasamento considerável.

A vida é um processo de muitas partidas. Muitas partidas de tantos “eus” que vão ficando pelos caminhos que percorremos. Morremos e nascemos a cada instante.

É também um processo de muitas partidas “dos outros”. Partida de seres que compõem o nosso universo afectivo e referencial.

Partidas que nos enchem de um tremendo vazio muitas vezes. Um vazio que nos ensina o quanto de nós se preenchia desse “outro”.

Em primeira e última instância a vida ensina-nos, com maior ou menor dificuldade, de forma mais ou menos dolorosa, a estarmos “sós” …

Há diferença entre estarmos sós e estarmos sozinhos? Entre estarmos sós e estarmos em solidão?

Talvez só quando aprendemos a estar plenamente sós temos o coração aberto para poder estar com os outros … e no entanto … há aprendizagens da vida que levam .. .toda uma vida.

Até lá, vamos aprendendo, vamos tentando, vamos errando … vamos aprendendo vezes sem conta de forma bem inexorável.

Quanto tempo vai um ser ficar na nossa vida? E que importância irá ter para nós e para ele? E quanto o iremos amar e ser por eles amado? Verdadeiramente? O amor pode ser quantificado?

No final de contas … a vida é feita de dolorosas subtrações que nos ensinam que nunca possuímos verdadeiramente nada … e por isso mesmo cada dádiva, cada presença, cada ser que nos toca verdadeira e profundamente é um benção … que dura o que durar … e que olhar a eternidade é como olhar as nuvens no céu em constante devaneio.

Talvez não devéssemos temer estar sós … pelo contrário … talvez devéssemos aceitar essa visita dos tantos “eus” que nos compõem, ou não, com a mesma hospitalidade da visita dos que nos vêm tocar, abanar, fazer tremer … enquanto ficarem.

Há seres que nos deixam tremendos vazios sulcados no coração … talvez insubstituíveis na nossa efémera ilusão de eternidade …

E também eles são Mestre que nos relembram dessa lição … dessa lição de que nunca estarmos verdadeiramente sós … se soubermos estar verdadeiramente com nós próprios. Quando estamos verdadeiramente sós … como nós mesmos. E no vislumbre de alguma vez alcançarmos essa compreensão … estaremos prontos. Talvez. 

 

PJP  


reflexões #reflections #pjp.ecolution #pjpereira #pensamentos #thoughts #vida #life #pegadas #footprints #estações #seasons #mudançadeestação #ciclosdavida #ciclosdanatureza #inverno #winter #luz #light #ritmosdaterra #earthrythms #gratidão #gratefulness #potedagratidão #consciência #consciousness


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Plantação no Planalto da Serra da Freita / 12-12-2021

Muitas vezes as pessoas questionam-se sobre o seu próprio poder/capacidade de fazer a diferença no mundo. Muitas vezes questionam também sobre o que poderiam fazer de diferente/melhor … Na verdade creio que uma reflexão consciente sobre o estilo de vida de cada pode ser uma boa forma de percebermos e adquirir noção do tanto que podemos mudar... mas se da lista do tanto que poderia ser feito de diferente tivesse que escolher uma só acção, no topo da minha lista estaria sem dúvida … Plantar Árvores.

Plantar Árvores … tantas quanto pudermos … é muito provavelmente das acções mais valiosas que podemos fazer para contribuir para o equilíbrio ecológico dos ecossistemas.

No passado dia 12 de Dezembro foi o dia de mais uma Acção organizada pelo Movimento Gaio. Desta feita no Planalto da Serra da Freita, Baldio de Albergaria da Serra, perto das Pedras Boroas do Junqueiro.

Fisicamente foi uma actividade exigente … terreno alagadiço nalgumas zonas, muitos calos nas mãos … mas a força retemperada em cada “caldeira” aberta para nela alojar uma árvore … e numa paisagem quase por completo despida de árvores cada exemplar plantado é muito mais que uma árvore … é uma semente de esperança … esperança de que possa, com a ajuda da própria Natureza, crescer e com ela semear também a própria vida em redor. E como partirei com um enorme sorriso no coração se souber que os meus filhos descansam, do sol inclemente, na sombra de uma árvore que eu tiver plantado.

reflexões #reflections #pjp.ecolution #pjpereira #pensamentos #thoughts #vida #life #paisagensnaturais #naturalandscapes #árvores #trees #floresta #forest #regeneracãoecológica #movimentogaio #baldiodealbergariadaserra #portugalautêntico #authenticportugal #grandeporto #arouca #aroucageoparque #movimentogaio


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

(Já não)Apita o Comboio / 10-11-2021


Se me pedissem/se tivesse que escolher entre aquilo que foram as decisões mais desastrosas tomadas em Portugal no século transato e a forma como essas decisões se repercutem negativamente na nossa realidade actual teria por certo muita dificuldade em o fazer. Se o tivesse que fazer especificamente em relação à questão “ambiental”, apesar de ser, a meu ver, uma área profundamente interligada a tantas outras, para não dizer a todas outras, a dificuldade seria ainda maior. Desde a quase completa “aniquilação” da floresta autóctone com as plantações de monoculturas industriais (com destaque para o eucalipto), à “plantação” de mamarrachos um pouco por todo o lado com destaque da linha costeira (parece que se plantou tudo menos o que se devia: árvores autóctones), passando pela brutal “intensificação” da agricultura com destaque para o mais recente atentado ambiental que é o desastre das monoculturas no Parque Natural da Costa Vicentina … enfim, por certo o mais difícil é mesmo escolher entre as inúmeras opções disponíveis.

Ainda assim de entre todos um que me ocorre de forma quase instantânea foi/é a “Destruição Programada da nossa Rede Ferroviária”. Em vez de se ter feito o que se devia ter feito, que seria modernizar essa Rede, optou-se pura e simplesmente pelo encerramento criminoso de Linhas isolando ainda mais (principalmente) as populações periféricas. Contribuindo ainda mais para o chamado êxodo rural. Claro que chegados a este ponto o principal argumento que é quase sempre esgrimido na defesa dessa política é o de que … “Mas as Linhas não eram rentáveis, davam prejuízo”. E as auto-estradas são rentáveis para o estado? E os equipamentos públicos e as obras estruturantes têm que ser rentáveis ou são, ao invés disso, um investimento fundamental para o desenvolvimento das diversas localidades? Ou um investimento fundamental para assegurar o direitos das diferentes populações, mesmo as mais “isoladas”, ou sobretudo as mais isoladas, à mobilidade?

Já não falo do desastre ambiental relacionado com o aumento das emissões de gases poluentes já que as viagens que deixaram de poder ser feitas de comboio passaram a ser feitas de auto-carro (quando o há) ou automóvel.

Claro que a meu ver esse encerramento teve muito de criminoso e explica-se pelo lobbie do alcatrão ter imposto a sua “Lei” … a construção desenfreada de estradas e auto-estradas, mesmo em locais onde o nível de investimento (custo) era aí sim muito superior à real necessidade, prendeu-se no meu atender com o facto de terem sido um dos principais “manás” oferecidos às grandes construtoras. Que são em larga medida quem determina decisões e quem “manda” nos ministérios.

Quando olho para o mapa da Rede Ferroviária Nacional de há algumas décadas atrás não consiga deixar de sentir uma profunda tristeza e mesmo “dor de alma” … como foi possível destruir uma rede que cobria uma extensão tão importante do território? Como foi possível aos tecnocratas, aos boys, aos tachistas da capital decretarem criminosamente a morte “do comboio”? Foi possível porque normalmente para chegar a um desses cargos é necessário abdicar do coração e provavelmente também vender a alma … não ao diabo mas aos grandes lobbies e interesses que no fundo mandam no país.

E foi possível porque uma população cansada do seu isolamento, conformado ao fado do seu esquecimento por parte do poder central, foi permitindo … porque uns brindes oferecidos pelos candidatos nas épocas de eleições sempre são melhores que o nada do costume.

Como que choro de cada vez que vislumbro um mapa como este (não consigo determinar ao certo o ano mas foi certamente anterior à ditadura do Cavaquistão) … choro em silêncio e na contemplação de pensar como poderíamos ter um país tão melhor se as decisões fossem tomadas em prol das populações e não do grande capital. Noves fora é esse o resultado principal da equação.

(Já não) Apita o comboio … e como que ainda ouço o seu apitar quando passo por uma estação abandonada, e ouço o bulício das gentes da terra carregadas de sacos a sair das composições, e ouço o silêncio sussurrando-me lamentos … e vejo os fantasmas de quem já ninguém se lembra. E choro mais uma vez.


reflexões #reflections #pjp.ecolution #pjpereira #pensamentos #thoughts #vida #life #ecologismo #ecology #biocentrismo #biocentrism #ecologism #activismo #activism #nãoháplanetab #theresnoplanetb #climatechange #alteraçõesclimáticas #changethesystemnotheclimate #mudaosistemanãooclima #comboios #trains #estação #station #comboioemportugal #trainsinportugal #portugalprofundo #deeportugal #desertificaçãodointerior

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

“COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO?” Partilha 6, MENOS é MAIS, 2021-10

 MENOS é MAIS

Possivelmente há muitas formas de o designar mas ainda na lógica dessa profunda e urgente redução da escala de consumo há uma espécie de “slogan” chave capaz de resumir de forma bastante certeira a ideia principal inerente a esse movimento por assim dizer: o “Menos é Mais” traduz de verdade a ideia chave daquilo que pode também ser referido como uma espécie de movimento que busca num certo minimalismo e um estilo de vida bastante diferente, ou até mesmo oposto àquilo que tem sido a ideologia dominante nas décadas mais recentes de “consumir desenfreadamente” … consumir quase como um desígnio económico associado ao crescimento económico mas que, de facto, não contempla praticamente nenhum dos impactos e consequências nefastas associadas e a esse mesno processo de produção e de consumo.

Então “menos” bens de consumo pode possibilitar paradoxalmente, ou não, uma melhor qualidade de vida já que não “desperdiçamos” tanto tempo, energia e recursos a acumular bens materiais e/ou serviços de utilidade no mínimo duvidosa, de utilidade questionável. Em muitos casos funcionam mais na verdade como um vício do que propriamente do que corresponderem a uma necessidade objectiva e concreta.

Mais uma vez a clássica dicotomia SER vs TER. Provavelmente se despendermos menos tempo, energia e recursos focados simplesmente no “TER”, no “COMPRAR” … provavelmente poderemos investir em áreas certamente bem mais relevantes da nossa vida … como simplesmente despender tempo de qualidade da nossa vida com aqueles que amamos … a fazer coisas simples e que ironicamente numa grande parte dos casos são … gratuitas … tais como brincar, jogar, falar, cantar, passear, etc. Actividades transversais à própria história da humanidade mas que têm vindo a ser substituídas, especialmente nas décadas mais recentes e particularmente no período correspondente ao “pós-guerra” (II Grande Guerra Mundial) pelo entretenimento individualizado como por exemplo os vídeo-jogos, os canais não generalistas, e netflix, etc.

A ideia de que temos que estar sempre a “fazer” alguma coisa assenta claro num conceito profundamente “produtivista” … da produção (nomeadamente a produção constante e até crescente) como um pilar ideológico da nossa organização social e económica. Temos que estar sempre a produzir logo temos que estar também constantemente a consumir … naquilo que constitui a ideia já anteriormente mencionada do consumo como filosofia de vida. Como prática normativa e até conduta ideológica.

O “Menos é Mais” surge evidentemente em oposição a esta filosofia ainda bastante dominante mas também cada vez mais questionada. Ao mesmo tempo que evidencia a vários níveis ter falhado naquilo que é supostamente o seu maior propósito: o de gerar um bem-estar generalizado. Na verdade ela baseia-se num pressuposto de constante insatisfação … numa satisfação quimérica que deverá advir através do consumo mas que na verdade só conduz a uma espiral de constante consumo e de constante dependência em relação ao mesmo como elemento integrativo. No essencial não é, nada mais, nada menos, do que uma dependência semelhante a tantas outras .

O “menos é mais” pode ser visto como uma estratégia válida de eliminar ou pelo menos reduzir drasticamente essa dependência que se tornou num elemento cultural fulcral nas últimas décadas …

Então aquilo que poderia ser visto como um esforço por vezes quase ascético gerador de infelicidade (na medida em que se transmite uma ideia de sacrifício e privação) é provavelmente precisamente o oposto: É um esforço que nos permite encontrar uma libertação daquilo que é redundante e que constitui vezes sem conta em boa verdade uma espécie de vício e dependência.

Claro que é importante salientar que nos estamos a focar numa realidade geográfica onde efectivamente existe essa constante hiperbolização, por assim dizer, do processo de consumo. Nomeadamente naquilo que normalmente se define como os países “desenvolvidos” ou, essencialmente, os países ditos “ricos” do hemisfério norte. O que não pode ou não deve contudo servir para sonegar o facto de também nesses países existirem profundas e até violentas desigualdades sociais. Apesar de poderem à primeira vista parecer relativamente ténues se comparadas aos níveis de desigualdade “sistémica” e de pobreza extrema da maior parte do hemisfério sul.

De qualquer forma é importante salientar que não está em causa esperar que aqueles que já têm tão pouco tenham ainda menos. Mas na verdade estes têm muito a ensinar no que diz respeito a saberem viver tantas e tantas vezes relativamente bem com pouco … e a conseguirem encontrar a felicidade em “coisas” e valores provavelmente bem mais importantes do que possuir este ou aquele objectivo, este ou aquele produto, desta ou daquela marca.

Sem menosprezar contudo - é importante salientar bem - que existem em muitos países, demasiados ainda, níveis obscenos de pobreza e miséria... nesses casos o caminho deverá ser no sentido de prover essas pessoas e sociedades de bens dos quais se encontram tantas vezes privadas. Muitas vezes nem sequer porque não existe efectivamente disponibilidade desses bens e produtos mas fundamentalmente pelas profundas desigualdades, muitas vezes dentro do próprio país, de acesso aos mesmos. São tipicamente países onde existe uma minoria que chega até a viver em circunstâncias de absurda opulência ao mesmo tempo que a grande maioria da população vive numa situação que podemos mesmo definir como de segregação económica pura e dura.

Nesse caso menos, bem menos, para os que têm demais seria uma forma de proporcionar aos que têm efectivamente menos muito mais. Porventura o essencial para uma vida condigna. Mas claro, aí já nos estamos a focar em mudanças que têm necessariamente que ser de ordem sistémica. E leva-nos à questão de como mudar todo um sistema de organização económica e social que tem sido vigente nas últimas décadas? Bem, certamente não existe uma só solução e nem uma só resposta mas creio que por exemplo o “menos é mais” pode constituir uma alternativa válida e uma forma de criar um disrupção importante com o sistema capitalista global. Pelo menos uma boa filosofia no sentido de diminuir a dependência relativamente ao mesmo e de evitar, de alguma forma, contribuir para a sua perpetuação.

 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Ah!!! mas (não) são verdes! /15-10-2021

 

Podem os chamados espaços verdes ser na verdade mais um problema ecológico e não uma solução? Por muito paradoxal que a resposta possa ser... sim podem... e em muitos casos até são. Tudo depende da visão, concepção e mesmo gestão desse espaço verde... sobretudo dos paradigmas dominantes. Não sei bem as razões históricas e culturais para isso (suponho que radica em larga medida numa visão antropocêntrica da espécie humana como "domadora" e dominadora de uma Natureza rebelde) mas para muitas pessoas e entidades, nomeadamente autarquias, um espaço verde "cuidado" é um espaço todo "arranjadinho", com a relva rasa, praticamente sem vegetação espontânea que é vista como um inimigo a exterminar sem piedade. E é aqui que começa o problema, ou problemas, ecológicos... Normalmente nesses espaços são usadas quantidades obscenas de herbicidas e de outros produtos químicos de síntese. Acresce que devido, desde logo, a uma maior exposição solar e muito menor capacidade de retenção de água o consumo da mesma tende a ser muito superior. Para além disso são espaços que tendem a ser muito mais pobres em termos de biodiversidade, já que a vegetação espontânea é normalmente um elo e elemento de elevada importância no equilíbrio de um ecossistema. Por tudo isso e muito mais urge uma profunda mudança de mentalidades na forma de olhar e conceber um "espaço verde". Felizmente nalguns locais essa mudança começa a acontecer e um bom exemplo disso é o do Parque da Devesa em Famalicão. Creio que também o Parque de Avioso no município da Maia. Também o município de Lousada está, ao que sei, a adoptar uma paradigma de manutenção de espaços verdes "inovadora" ao permitir a existência de áreas onde a vegetação pode despontar "livremente" sem correr o risco de ser literalmente arrasada ao primeiro despontar. Assisti a um documentário no “Biosfera” sobre isso mas já não consegui encontrar o episódio. Ainda há por certo um longo caminho a trilhar mas no que à Natureza diz respeito e em particular em relação à Biodiversidade a verdade é que tempo é em certa medida um "luxo" que vai diminuindo a uma velocidade vertiginosa... o ritmo de perda da Biodiversidade e de destruição dos ecossistemas (ou simplesmente profunda alteração e desequilíbrio nos mesmos) é muito superior ao de alguma regeneração ecológica que se vai desenvolvendo sobretudo através de projectos com uma visão e dinâmica efectivamente regenerativa. Por vezes tudo o que a Natureza nos pede para fazer é... nada. Deixá-la simplesmente despontar livremente... ou pelo menos reduzirmos a intervenção e ação sobre a mesma. Haja inteligência e visão para compreender o que fazer em cada situação e em cada momento. Fica o repto.


Sobre a boa política do Parque da Devesa em Famalicão:

https://vilanovaonline.pt/2021/07/16/parque-da-devesa-protege-biodiversidade-deixando-crescer-vegetacao/


#reflexões #reflections #pjp.ecolution #pjpereira #pensamentos #thoughts #vida #espaçosverdes #greenareas #parques #parks #natureza #nature #priroda #vegetação #vegetation #plantas #plants #parquedadevesa #parquedeavioso #jardinagemecológica #ecologismo #ecology #flora

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Tempestade no mar, gaivotas em terra... / 27-09-2021

 

Quanto e quanto tempo da nossa vida passamos a lamentar, ou mesmo praguejar, pelas coisas que não são como ou o que "gostaríamos" que fossem... uma das mais recorrentes é a forma como protestamos com alguma indignação até pelo "mau tempo"... pela forma como amaldiçoamos a chuva... quando muito provavelmente deveria ser até o oposto... a água é absolutamente imprescindível à vida, à nossa também, e no entanto maldizemos da forma como cai... um dos "segredos" da vida é justamente usufruirmos da vida e tirarmos o proveito mais benéfico da mesma nas circunstâncias em que ela se nos apresenta (sem prejuízo de podermos viver e trabalhar para modificar circunstâncias adversas)... sempre que a chuva cai sinto gratidão por ela e mesmo não gostando especialmente de ficar molhado gosto da chuva... de sentir as gotas, do som, do cheiro da terra húmida, da tez pardacenta da paisagem em volta... e claro, do mar, sempre o mar, em dia de tempestade.

Uma das imagens mais belas e poéticas da minha vida: a de uma bela rapariga dançando nua quando começou a chover copiosamente na montanha... na quinta onde vivi. E pergunto-me porque não me despi também e dancei na chuva? Nunca o fiz e por certo é uma das coisas que quando "partir" não gostaria de deixar por ter "feito" na vida... O que espero? Pela oportunidade "perfeita" ou por conseguir ignorar as desculpas que dou a mim mesmo para não o fazer (e há sempre tantas à disposição!)? Que possamos dançar despidos na chuva mais e arranjar desculpas menos. Que possamos não adiar mais a oportunidade de fazer algo que nunca fizemos na vida... até porque ao adiarmos para "amanhã" facilmente nos esquecemos que o fazer "amanhã" é sempre um verbo conjugado de forma condicional..


#sociedadede #society #pensamentos #thoughts #reflexões #reflections #pjp.ecolution #pjpereira #vida #life #desenvolvimentopessoal #desenvolvimentointegral #viveavida #livelife #coaching #oportunidades #dançaàchuva #danceintherain #contemplação #contemplation #chuva #rain #gotasdereflexão #dropsofreflection #inspiração #inspiration #opoderdoagora #thepowerofnow

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

pés para que te quero? / 02-09-202

 

Deslocações. A grande maioria de nós passa uma grande parte da sua vida deslocando-se de um local para o outro. Essas deslocações na grande maioria das vezes tendem a ser deslocações rotineiras... deslocações de casa para o local de trabalho ou de estudo. Habitualmente é-nos incutida a ideia de que uma deslocação deve ser o mais rápida possível... e essa é uma das principais razões para a frenética "automobilização" da nossa sociedade. Os carros, e as vias para eles circularem, ocuparam o nosso espaço físico, acústico e mesmo "mental". Cultural se quisermos. Dito de outra forma ... a noção de espaço encontra-se intimamente associada à noção de ... tempo. E o ritmo, a velocidade, que nos impomos, porque nos impõem, é sempre de cada vez maior vertigem ... cada vez mais rápido, mais rápido, mais rápido. A verdade é que ... tão focados que estamos no destino ... acabamos por passar ao lado (literalmente) de todos os detalhes ... dos detalhes, dos pormenores, dos segredos da nossa cidade, do espaço que percorremos ...

Segredos e lugares que nos contam estórias, que guardam silenciosas memórias de quem fomos ... segredos e lugares com os quais não paramos para dialogar. Não paramos para dialogar, para observar .... para sentir os odores, para escutar as formas, para compreender as energias ... E é esse diálogo que mais me encanta nas minhas deambulações a pé ou de bicicleta ... essa oportunidade de falar com os lugares ... de contemplar a sua solenidade, a sua sabia antiguidade, de perceber todas as memórias que os caminhos e os recantos guardam esquecidas ... Infelizmente quase sempre que tomo esses desvios, ou simplesmente contemplo os lugares mais habituais, deparo-me com abandono e esquecimento ... parece que nessa frenética corrida rumo a algo que ninguém sabe bem o quê acabamos por nos esquecer de tantas das nossas raízes, da nossa identidade e dos lugares que deixamos lá .... escondidos.

Infelizmente vivemos também num país que parece esculpido à imagem e semelhança do automóvel ... em que o peão, o ciclista é "atirado" literalmente para a berma. Ao percorrer uma parte do caminho de Santiago a partir do Porto segui uma grande parte do percurso na berma da estrada ... quase suplicando aos automóveis pela amabilidade de me concederem o favor de espaço para caminhar ... em locais sem qualquer passeio. Curioso e triste é também em todo o trajecto não ter encontrado uma só fonte. Parece que por cá é sempre melhor investir em placas pomposas que anunciam isto e aquilo mas no essencial pouco ou nada se investe ou melhora os locais.

Para além de tudo isso uma das coisas que mais me choca, sim, continua a chocar, é o lixo ... as generalizações são sempre algo perigosas mas ainda assim creio que não arrisco muito ao afirmar que somos efectivamente um país de badalhocos e badalhocas ... o lixo está por todo o lado ... resíduos a conspurcar a Natureza, ou o que resta dela. É algo que me chocou desde que me lembro de existir mas após algumas décadas gostava de acreditar que neste ponto as coisa estariam um pouco melhores ... e ao ser confrontado com a realidade fica difícil acreditar nisso .... tanto mas tanto que há a fazer para cuidar, valorizar, conhecer o nosso património histórico, natural e cultural ... mas sabemos mais do último grito da tecnologia, do novo telemóvel, ou da vida das personagens das revistas de fofocas, ou dos jogadores de futebol, do que das nossas raízes ... e uma árvore sem raízes fortes é uma árvore tísica, vulnerável, facilmente derrubada pelos ventos da moda. Bem, a partilha já vai longa e o meu principal objectivo era só recordar-me e recordar a quem as minhas palavras possam tocar que é tão importante colocarmos "pés a caminho", ou "pés nos caminhos" e conhecermos verdadeiramente o território, as geografias, as histórias, as gentes que ainda resistem... pôr pés a caminho agora ... pois cada dia que passa há menos histórias, há menos gentes, há menos memória ...


#nature #natureza #bosques #hoods #folhas #leavs #solo #soil #regeneraçãoecológica #ecossistema #ecosystem #caminhos #ways #ecologismo #ecology #pensamentos #educaçãoambiental #enviornmentaleducation

#pjp.ecolution #pjpereira #ecologiaprofunda #caminhar #pedestrian #peão #bike #bicicletando #portugalprofundo #portugal #distritodoporto #estrada #road #cuidardaterra #tempo #time


Sessão sobre Relacionamentos Amorosos Conscientes (Evento de Beneficiência), 6ªfeira, 09 de Fevereiro de 2024, 19h00

  CONTEXTO: Os relacionamentos amorosos são, sem dúvida, um dos contextos literalmente mais apaixonantes da nossa existência mas, ao mesmo...