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quarta-feira, 23 de junho de 2021

Ecoliza-te, Ep.5 Como ter uma pequena horta no nossoa apartamento?, por PJP


 

E aqui segue mais uma vídeo/reflexão do Projecto PJP.ECOLUTION,


Ecoliza-te, Ep.5 Como ter uma pequena horta no nossoa apartamento?, por PJP


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sugestões de futuros temas de reflexão, são também muito bem-vindos!

Obrigado e Boa Ecolução!!!


Alguns dados:


Estima-se que em 2025 cerca de 65% da população mundial viverá em cidades. Será que as nossas cidades têm que ser necessariamente espaços artificializados e improdutivos? O que será que podemos fazer para tornar as cidades habitats mais equilibrados e de alguma forma “naturais”?


PJP.ECOLUTION


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É um projecto que tem como principais objectivos, alicerçados numa profunda consciência espiritual e planetária, a mudança e o desenvolvimento pessoal e colectivo. Caracteriza-se por áreas de incidência tais como o ecologismo, o desenvolvimento integral e a consciência humana.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

“COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO?” Partilha 5, HABITAÇÃO COLECTIVA

 

 

O principal objectivo do livro COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO? é o de “oferecer” o seu contributo para uma reflexão individual e colectiva que, acredito convictamente, poderia e deveria estar a ser efectuada durante todo este “choque”. A certos níveis creio que ela está já a acontecer mas a outros parece-me que existe uma pressão excessiva para que se tente simplesmente regressar “ao normal”, ou o mais próximo disso que conseguirmos, quase como se nada se tivesse passado … ou não houvesse nada a aprender e sobretudo … a mudar.

O livro está distribuído por áreas temáticas que têm por objectivo incidir sobre aspectos e questões que toda a situação da Pandemia do COVID-19 e crise subsequente poderá ter tido, eventualmente, o efeito de tornar ainda mais evidente. Uma reflexão fundamental no sentido de perceber potenciais linhas de mudança.

Se tiveres alguma sugestão ou ideia de alguma forma em que possas colaborar/ajudar na publicação deste projecto fico-te desde já muito grato. Abraços

Pedro Jorge Pereira


E aqui segue a “partilha” deste mês:


Partilha 5, HABITAÇÃO COLECTIVA, 2021-06

Outras das questões fundamentais quando falamos de habitação prende-se com o modelo dominante de habitação individual. Claro que, mesmo aceitando essa realidade, é um conceito de habituação individual limitado … sobretudo se considerarmos que hoje em dia uma grande quantidade das pessoas, eventualmente até a maioria, vive em edifícios partilhados, condomínios. É certo que habitualmente tratasse de uma realidade “circunstancial” e que não deriva necessariamente da vontade e determinação das pessoas em partilharem, ainda que parcialmente, o edifício onde habitam com outras pessoas. No entanto, de forma mais ou menos voluntária, o facto é que o fazem. Aliás, o próprio conceito de “condomínio” radica num modelo de gestão e habitação que se pode considerar colectiva. Pelo menos na sua vertente mais directa que é a da gestão dos espaços e equipamentos colectivos de um determinado edifício ou urbanização.

Por isso quando se fala em modelos de habitação colectiva não se está a falar de algo extremamente abstracto ou “longínquo” mas de algo que, em boa verdade, é uma possibilidade mais “próxima” e viável do que numa primeira análise poderíamos pensar.

Creio então que uma das “revoluções” com maior potencial prende-se precisamente com uma mudança desse paradigma ainda dominante de habitação individual. Parece-me que a habitação colectiva “tencional”, sobretudo se considerarmos a tremenda margem de crescimento que possui, será cada vez mais uma realidade. Ainda que “marginal” mas … uma realidade.

Se analisarmos a própria história esse é o modelo de habitação e mesmo organização social mais primordial e diria até … natural. Na história da humanidade o indivíduo evoluiu integrado em comunidades. Eventualmente em pequenos núcleos habitacionais que foram crescendo ao longo da história com especial ênfase no período pós Revolução Industrial, que de certa maneira deu origem às “grandes metrópoles”. Apesar de no período antecedente haver já alguns aglomerados populacionais que se poderia considerar como correspondendo a esse conceito. No entanto não constituíam a maioria, bem pelo contrário.

Do ponto de vista da inteligência na utilização e economia de recursos a habitação colectiva é de enorme pertinência e em certa medida pode-se afirmar que é o modelo que em boa verdade faz efectivamente “sentido”. Ou pelo menos mais sentido. Chegados a este ponto mais uma vez temos que referir como aspecto chave de referência o conceito do “individualismo” capitalista. A ideia de que cada um tem que ter um certo conjunto de bens e objectos como elemento de afirmação social é evidentemente de uma enorme ineficiência e até estupidez na utilização desses bens e objectivos.

Porque é que cada um tem que ter uma televisão, um carro, isto e mais aquilo?

Para além do elevado custo económico inerente à aquisição e manutenção desses objectos e equipamentos há evidentemente o elevado custo ecológico. O impacto ecológico sobre os ecossistemas naturais é brutal e simplesmente incomportável se todos os habitantes do planeta aspirarem a possuir esse conjunto de objectos e bens …

Um exemplo muito claro disso é o do próprio veículo automóvel … já que a tantos níveis possuí uim brutal impacto ecológico.

Assim sendo faz cada vez mais sentido o desenvolvimento e colocação em prática de modelos de partilha e utilização colectiva. Mesmo de equipamentos cuja utilização colectiva parece à partida mais difícil como o veículo automóvel.

Claro que um das principais questões que se coloca é a das eventuais dificuldades, ou melhor, prováveis dificuldades em conseguir desenvolver relações harmoniosas com outras pessoas sendo o grau de “implicação” tão elevado, estando-nos a referir à partilha do próprio espaço doméstico. O facto de ser difícil, ou o facto de ter uma implicação tão elevada, em nada inviabiliza essa hipótese. Na verdade podemos até afirmar que esse processo de desenvolvimento de relações e dinâmicas de relacionamento social, gestão de conflitos, etc. tem também um tremendo potencial de crescimento pessoal e colectivo. É um processo que se torna tão mais “orgânico” quanto maior for o número de casos e exemplos que demonstrem de uma forma concreta como é que se pode viver efectivamente em comunidade.

É também importante referir que eventualmente não existe “um modelo” de habitação colectiva mas sim dezenas, senão mesmo centenas de modelos possíveis. Cada um deles com um diferente nível de “implicação”. Pode ir desde modelos que efectivamente pouco diferem de um “normal” condomínio a situações de vida e partilha profundamente “comunitárias” ou se quisermos (apesar da conotação “pesada” que foi atribuída a essa designação pela forma como foi usado pelos regimes totalitaristas ditos socialistas) … comunistas. Onde praticamente todos os bens são utilizados de forma colectiva. Não há um modelo certo ou um modelo errado … existem muitos modelos possíveis ajustados à realidade concreta de cada grupo que decide viver de forma colectiva ou se preferirmos … comunitária.



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terça-feira, 8 de junho de 2021

Eu passadiço, tu passadices, eles passadicem...

 

por Pedro Jorge Pereira

Junho de 2021


Ao longo dos últimos séculos a população humana tem vindo a apropriar-se cada vez em maior escala dos habitats ditos ainda “naturais”, com consequências habitualmente desastrosas para estes. Na verdade o ritmo de destruição por exemplo das florestas nativas ou da perda da biodiversidade é absolutamente aterrador.

Cá por Portugal, ainda que não registando a dimensão catastrófica da destruição ecológica de outros locais (se pensarmos por exemplo nas florestas tropicais), o panorama não é propriamente muito mais animador.

Entre a substituição/destruição da floresta autóctone por plantações intensivas de espécies de crescimento rápido (com natural destaque para a praga do eucalipto), a proliferação de auto-estradas por tudo o que é canto e consequentes impactos, a artificialização dos espaços verdes, a agricultura confundida com monocultura intensiva a “bombar” pesticidas e fertilizantes de síntese pelas nossas terras, a poluição dos diversos cursos de água, a pressão humana na linha costeira, os resíduos sólidos urbanos produzidos em ritmo alucinado, a betonização dos últimos rios ainda relativamente em estado “selvagem”, etc., o que não falta é por onde escolher no cardápio dos maiores atentados ecológicos no país. Ao que parece somos mesmo bons a desprezar e a mal-tratar a Natureza.

Não obstante nos últimos anos aparentemente as coisas têm melhorado um pouco … aparentemente existe um pouco mais de consciência ecológica e, por outro lado, as condições ao nível de infraestruturas básicas (por exemplo saneamento) verificaram alguma evolução.

Partindo da premissa de que a alguns níveis a evolução foi efectivamente positiva, uma das questões mais pertinentes que se coloca é a de se a população portuguesa se tornou ambientalmente mais consciente?

Ao que parece existe uma aparente maior valorização dos espaços naturais tendo surgido bastantes projectos cujo intuito pretende ser a requalificação de espaços ditos naturais, ou semi-naturais e a criação por exemplo de parques. Muitos deles parques urbanos para usufruto da população e para alguma recuperação ecológica de habitats …

Aparentemente as pessoas também valorizam mais a Natureza na medida em que as chamadas actividades de “ar-livre” como por exemplo a caminhada são cada vez mais procuradas.

O contacto com a Natureza tem efectivamente o potencial de se constituir como um dos principais meios de sensibilização e educação ambiental. Conhecer a Natureza, compreender as suas dinâmicas, sentir toda a sua essência, etc. Mas a verdade é que o contacto com a Natureza por si só está longe de constituir a “garantia” de uma efectiva sensibilização ou aumento da consciência ambiental por parte de quem a procura. A maior evidência disso são os badalhocos que deixam lá ficar o seu lixo como prova cabal de sua boçalidade. Tudo depende em larga medida da sensibilidade e receptividade das pessoas. A verdade é que vezes sem conta essa sensibilidade e receptividade não é propriamente a maior e a postura de quem usufrui dos espaços ditos “naturais”, ou relativamente naturais, não é verdadeiramente de contemplação, admiração ou até do mais elementar respeito.

Pois bem … mas a que propósito surgem todas estas reflexões? A resposta é bastante simples … todas estas reflexões surgem com o intuito de uma reflexão mais ampla a propósito dos ditos … “passadiços”, que têm vindo a proliferar por todo o país.

A motivação inicial para a construção dos passadiços até começou por ser boa. A ideia seria por exemplo nas zonas dunares de evitar o pisoteio da já de si frágil flora dunar, habitualmente arrasada por milhares de veraneantes durante sobretudo as épocas balneares. Mas aquilo que começou por ter uma motivação positiva rapidamente redundou em mais uma forma de aumentar a carga e impactos negativos humanos sobre os habitats naturais ou relativamente naturais.

Nos últimos anos então … os passadiços (e afins) tornaram-se inicialmente numa moda até ao ponto de constituírem actualmente uma autêntica praga. É como se os responsáveis autárquicos já não conseguissem conceber meios de fruição dos espaços naturais sem “espetarem” um passadiço, ou muitos passadiços, na paisagem. Em jeito de “bónus”, aos passadiços têm vindo a acrescentar mega-baloiços, caderinhas e o mais que o génio “pimba” de alguns iluminados tem tido o condão de trazer ao mundo e de “espetar” nas paisagens do país. Como se a própria paisagem, ou a Natureza em redor, não tivesse valor por si só. Como se precisasse dos “brinquedos” mais “fetichistas” que o génio humano é capaz de conceber para ter valor. Ironicamente essa mesma “paisagem” permanece em muitas dessas situações completamente abandonada e um monumento vivo às espécies invasoras ou à desertificação do solo.

Parece que se esqueceram, por exemplo, que durante séculos os seres humanos já caminhavam e interagiam com “a paisagem” através de meios de muito menor impacto como os próprios caminhos pedestres.

Aquilo que é mais importante são caminhos pedestres bem sinalizados mas sobretudo projectos de valorização e regeneração ecológica das paisagens percorridas por esses mesmos caminhos. Na verdade os passadiços não só não contribuem para essa valorização e regeneração como tantas e tantas vezes têm precisamente o efeito oposto: O de produzir uma carga paisagística e logística pesadíssima em locais em muitas circunstâncias de elevada sensibilidade ecológica. Por outro lado são uma autêntica “auto-estrada” aberta para atrair para esses mesmos locais hordas barulhentas e até bárbaras de pessoas cuja sensibilidade ecológica e respeito pela Natureza é semelhante à sensibilidade de um adepto da música pimba por Bach.

Um verdadeiro projecto de regeneração ecológica passa em larga medida pela criação de condições propícias à fixação e desenvolvimento da flora autóctone … passa muitas vezes pela plantação de árvores autóctones. Ora um bom projecto dessa índole tem por inerência um horizonte temporal de longo prazo … logo um horizonte muito para além dos ciclos eleitorais. E esse é precisamente talvez o principal propósito de um passadiço: o de constituir-se como prova de “obra feita” para fins eleitorais … daí a ter-se gerado uma verdadeira “corrida ao passadiço” foi um instantinho e chegamos a este ponto de os ver plantados por todo o lado, acabando por se constituir um elemento pesadíssimo e “estranho” numa paisagem para a qual deveria sensibilizar.

Mas que paisagem é essa? Essa é outra questão … muitas vezes fazem-se passadiços para contemplar … eucaliptais até perder de vista e outras paisagens profundamente deterioradas.

Mas não faz mal. Tudo o que importa são os exercício de imaginação pimba mais elaborados com o propósito de aumentar o “números” de visitantes para gáudio dos fanáticos da estatística … sem que seja efectuado por exemplo qualquer estudo de impacto ambiental.

Em suma … não sou contra os passadiços por si só … em situações pontuais podem de facto ser um instrumento de ordenamento paisagístico e organização da circulação daqueles que procuram os espaços naturais ou relativamente naturais. Ou em situaçções muito pontuais uma forma de acesso a locais em circunstâncias normais inacessíveis. Mas deveriam ser uma solução pontual e não a solução primordial e da moda só porque “sim” … ou só porque “a galinha da vizinha é sempre maior que a minha” … então se as outras terras têm passadiços também quero “para a minha terra”. Estamos portanto perante uma autêntica “febre do passadiço”.

Ora os passadiços têm um custo elevado. Um custo de construção e um custo de manutenção, já que com relativa rapidez começam a apresentar sinais de desgaste e deterioração. Custam muito dinheiro e implicam um elevado investimento de recursos que podiam e deviam ser usados para aquilo que é verdadeiramente importante: a valorização e regeneração ecológica do território. É fácil ter num Domingo hordas e hordas de excursionistas barulhentos a percorrer um passadiço … mas quantas pessoas se consegue juntar por exemplo para uma acção de reflorestação? Ou de controlo de espécies invasoras? Ou para uma verdadeira acção de Educação Ambiental?

Qual delas a Natureza necessita mais? A resposta é evidente.

Por outro lado os passadiços são-nos “vendidos” com um instrumento de valorização e até de conservação da Natureza … mas será que existe algum estudo sobre os seus verdadeiros impactos?

Esse é também um aspecto fundamental: a total ausência, até ao momento, de estudos de impacto ambiental.

Chegado a este ponto ocorre-me aquela velha (e nem por isso menos actual e urgente) máxima recorrente entre os autênticos amantes da Natureza quando vão a algum local “natural”:

Não deixar mais que pegadas, não tirar mais do que fotografias e não levar mais do que recordações.”

Ora os passadiços (e outras aberrações) acabam por se constituir vezes sem conta como verdadeiros “cancros” na paisagem. Os locais “instagramáveis” (como agora está na moda dizer) não fazem mais senão do que atrair multidões a locais que não precisam de multidões mas sim de visitantes realmente conscientes e capazes de valorizar e apreciar a própria essência dos ecossistemas locais. Multidões que em muitos casos arrasam a flora local e como recordação dos seus feitos deixam aquilo que de mais prolífico a nossa dita civilização tem vindo a produzir: lixo.

Em jeito de conclusão … será que somos de facto um povo mais consciente e ecológicamente mais sensível? A alguns níveis talvez … a muitos outros parece-me que infelizmente ainda estamos muito longe desse objectivo … e os passadiços em nada, bem pelo contrário, estão a contribuir para isso.

Fica a reflexão. Fica a mensagem e fica o apelo para se a quiserem partilhar e fazer chegar a outras pessoas … óptimo. Se um só metro de passadiço inútil for evitado o esforço desta reflexão já não terá sido em vão.

Um abraço e Boa Ecolução!


(*) Formador e Activista Eco-Social, Animador Socio-Cultural. Dinamizador, entre outros, do Projecto PJP.ECOLUTION


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quinta-feira, 9 de abril de 2020

As consequências ecológicas do Covid-19


As consequências ecológicas do Covid-19
por Pedro Jorge Pereira

09-04-2020

O objectivo principal deste documento é o de proceder a uma análise dos eventos e impactos produzidos pela dita Pandemia de Covid-19 e daí tentar retirar algumas ilações relativamente à forma como se organiza e funciona a nossa sociedade.
Neste caso especificamente o objectivo é o de tentar analisar as possíveis consequências, sobretudo do ponto de vista ecológico por assim dizer, não obstante ser um ponto de análise algo difícil de isolar porque se encontra, claro, intimamente associado a tantas outras questões. Ou, dito por outras palavras, uma abordagem do ponto de vista ecológico implica abordar questões de ordem económica, social, ideológica, etc.
O que este documento pretende é pois lançar uma discussão sobre estas questões e todos os contributos relevantes são pois muito bem-vindos e potencialmente irão enriquecer ainda mais a troca de ideias e o traçar de possíveis linhas de reflexão.
Podemos começar por dividir a análise entre aquilo que são impactos essencialmente positivos (oportunidades) e aquilo que são impactos essencialmente negativos (e que é urgente de alguma forma pensar em formas de os mitigar). Se bem que em muitos casos a divisão esteja longe de ser linear.
A próxima reflexão/documento será pois um maior aprofundamento dos aspectos aqui enunciados e sobretudo do possível potencial de reflexão e mudança contido em cada um deles. Será pois um documento que converge numa direcção e visão de uma nova sociedade pós Covid-19. Ou pelo menos um primeiro manifesto para um documento mais profundo que poderá até, quem sabe, adquirir a forma de uma publicação …


IMPACTOS principalmente positivos
É muito sensível falar de impactos essencialmente positivos quando estamos a referir-nos a um evento responsável por uma situação causadora de tanto sofrimento e a tornar bastante complicada a vida a tantas e tantas pessoas … agora e muito provavelmente nos próximos tempos … por outro lado, infelizmente, muito vezes são necessárias situações “de choque” para efectivamente produzir mudanças a nível da organização social … e evidentemente não podemos prosseguir num modelo devastador para o equilíbrio ecológico dos ecossistemas naturais assim como num modelo que tem vindo a gerar ainda maiores assimetrias económicas e injustiça social. Por isso a mudança é urgente e infelizmente muito poucas acções têm sido efectuadas nesse sentido. A muitos níveis até bem pelo contrário. Existem núcleos de poder muito poderosos que têm vindo a desenvolver todo um programa e sistema, com forte influência ao nível das diversas instâncias governamentais na generalidade dos países, orientado essencialmente para o seu enriquecimento e manutenção da situação quase endémica de injustiça económica, ambiental e social. Só com uma forte mobilização da sociedade civil é possível implementar as medidas necessárias para uma mudança radical nas estruturas económicas e sociais dominantes.

Transportes

Transporte Automóvel
Um dos aspectos mais imediatos e evidentes que a paralisia e “quarentena” forçada da maior parte da população produziu é claro uma tremenda redução na emissão de gases poluentes.
Com a generalidade da população confinada às suas casas, as deslocações encontram-se enormemente diminuídas e isso representa um decréscimo tremendo em termos de emissão de gases. O que se relaciona directamente com a forma profundamente “pesada”, nomeadamente sobretudo através do veículo automóvel individual, como nos deslocamos.
Por outro lado, com diversas unidades industriais também parcialmente ou mesmo totalmente encerradas há uma diminuição avassaladora nas emissões de gases.
De resto essa realidade é extremamente visível em imagens obtidas através de satélite e as diferenças entre o “antes” e o “durante” as medidas de restrição são brutais.
Uma das principais conclusões é pois a de que a redução drástica do tráfego automóvel traduziu-se, como seria de esperar, numa redução drástica da poluição atmosférica e por inerência de um aumento tremendo na qualidade do ar.
Aqui uma ligação para alguns dados relativos à Península Ibérica:
Observador, Mariana Fernandes, em linha 2020-03-26:

Transporte Aéreo
Em termos de transportes é ainda de destacar, e de que maneira, a brutal redução do transporte aéreo.
Nos últimos anos, em especial na última década, devido em particular a uma forte política de subsídios à indústria aeronáutica houve uma banalização do transporte aéreo … obviamente que esse aumento quase exponencial traduziu-se também num aumento das emissões de gases poluentes produzidos por este sector.
Com uma enorme restrição ao movimento de pessoas causada pela dita Pandemia de Covid-19 e um cancelamento da grande maioria das deslocações aéreas a redução ao nível de emissão de gases poluentes foi/é também exponencial.
Esse facto é tanto mais relevante se considerarmos que uma grande parte das deslocações aéreas são de motivação algo questionável. Uma viagem de avião tem um impacto ecológico tremendo, nomeadamente em termos de emissões, e faz cada vez menos sentido apanhar um avião para ir passar um fim-de-semana a um qualquer destino turístico “da moda”.

Em relação ao COVId-19 creio que é uma consequência directa do mundo exacerbadamente globalizado em que vivemos ... como nunca na história temos uma quantidade tão grande de pessoas (e produtos) a viajar distâncias tão grandes em períodos de tempo tão curtos …ou seja, pode bem ser uma consequência directa do mundo exacerbadamente globalizado em que vivemos … e nessa medida é importante haver uma forte relocalização de áreas importantes da nossa organização social … como a própria economia. Não significa que vamos ou devemos deixar de viajar mas provavelmente há muitos aspectos da nossa vida e vivências que podem (provavelmente devem) bem passar por o fazermos a uma escala mais “local”.

Existe uma urgência, a meu ver, do transporte aéreo começar a ser encarado com todos os seus elevados impactos ambientais (se quisermos também sociais e até culturais) e deixar de ser tão subsidiado ... é urgente reduzir o transporte aéreo e a forma “banal” como é utilizado.

Consum(ism)o
É de certa forma paradoxal que, hoje em dia, haja um consumo exacerbado que vai muito para além de necessidades reais essenciais. Ou seja, consome-se muito mais do que é necessário sendo que o próprio sistema produz por definição quantidades obscenas de desperdício. Então a questão não é só o consumir em excesso mas sim uma pequena parte da população mundial consumir em excesso e gerar constantemente níveis inadmissíveis de desperdício quando a maior parte da população mundial não tem sequer o necessário para satisfazer as suas necessidades mais elementares de alimentação, vestuário e habitação. Por isso o acesso ao consumo encontra-se fortemente distorcido e os impactos ecológicos do mesmo são também brutais.

Há por um lado um consumo desenfreado de recursos naturais, que tem levado a uma escala sem precedentes de destruição ambiental.
Por outro lado há uma produção astronómica de resíduos que acabam, porventura na maior parte dos casos, por poluir os ecossistemas naturais … causando inclusive a morte directa ou indirecta de milhões de animais selvagens.

Então um dos impactos mais imediatos da Pandemia de Covid-19 foi o de, pelo menos por um certo período de tempo, ter levado à redução forçada dos níveis de consumo e impactos do mesmo. Isto considerando especialmente as limitações de deslocação da maior parte das pessoas àquilo que são as grandes superfícies de consumo. Contudo … é também possível que o consumo por exemplo de produtos de higiene e alimentares tenha aumentado.

Urbanismo e Demografia
No último século e sobretudo após a revolução industrial a população humana tornou-se numa população essencialmente “urbana” ou seja, numa população que vive essencialmente em cidades, particularmente grandes cidades.

Em 2025 estima-se que 65% da população mundial viva nas zonas urbanas
Em 1985, 41% da população mundial vivia nas zonas urbanas
Em 1920, 14% da população mundial vivia nas zonas urbanas

Esta concentração da população em grandes cidades tem evidentemente repercussões aos mais variados níveis.
Na verdade as cidades são ecossistemas essencialmente artificiais e dependentes do “exterior” em termos de recursos e, muitas vezes, são também incapazes por si só de tratar devidamente os detritos produzidos.
Evidentemente que quanto maior é a população maior é a dificuldade em responder em termos de infra-estruturas básicas. Isto significa que a aglomeração populacional em grandes cidades do ponto de vista ecológico pode ser percepcionado como algo predominantemente problemático.
Uma das possíveis consequências ou problemas de uma concentração de um número demasiadamente elevado de pessoas numa área relativamente diminuta prende-se, por exemplo, com a maior fragilidade e vulnerabilidade à proliferação por exemplo de situações epidémicas e uma maior propensão a um número elevado de vítimas por exemplo face a catástrofes naturais. Ou situações de pandemia …
Existe uma correlação bastante forte entre a densidade populacional de uma determinada cidade e a vulnerabilidade face a situações como às mencionadas anteriormente. Por outro lado existe também uma correlação bastante forte entre o volume e rapidez de circulação de pessoas e bens e a maior vulnerabilidade por exemplo para a disseminação de doenças.
A “crise” provocada pelo Covid-19 veio demonstrar, sobretudo caso houvesse suficiente capacidade de análise em profundidade, da necessidade premente de aliviar a carga populacional nos grandes centros urbanos e isso passa fundamentalmente pela criação de condições de atractividade elevada para o “interior” e investir na criação de melhores condições de vida nas zonas rurais. Por outro lado é também prioritário alterar o paradigma dominante em termos de urbanismo: Ao invés de um constante aumento da densidade urbanística e artificialização dos espaços … é necessário fazer precisamente o oposto … diminuir a densidade de construção dentro dos espaços urbanos e reconverter espaços ocupados por estruturas artificiais em espaços produtivos por exemplo do ponto de vista alimentar ou capazes de proporcionar serviços ambientais como purificação da qualidade do ar (apostando predominantemente em espécies autóctones).

Parece-me evidente que as epidemias só atingiram (atingem) as proporções que atingiram essencialmente por um factor ... e ele é bem humano: a elevada concentração de um número elevado de pessoas num espaço relativamente reduzido ... ou seja, são um fenómeno essencialmente urbano … e foi precisamente em grandes centros urbanos que verificaram maior gravidade (Madrid, Milão, etc.)


Urbano Vs Rural
Ainda de certa forma ligado à questão do urbanismo a realidade é que o abandono do chamado “mundo rural” revela-se problemática aos mais variados níveis … sendo de destacar a tremenda perda de produtividade alimentar, ou falta dela. É uma situação particularmente grave no caso português em que auto-suficiência em termos alimentares é bastante reduzida … e uma situação de crise serve, em larga medida, para nos relembrar desse sério problema e dependência …
No fundo uma sociedade essencialmente de “serviços” acaba, a muitos níveis, por não estar a produzir quase nada daquilo que é mais essencial, sobretudo se pensarmos na alimentação. Então é também uma paradigma que urge alterar.


Ecossistemas e Vida Selvagem
O confinamento em massa da população humana “dentro das suas casas” traduziu-se também numa enorme diminuição da pressão humana nos ecossistemas naturais. A diminuição da pressão humana e a redução dos níveis de poluição a vários níveis tornou possível cenários inimagináveis como por exemplo o avistamento de determinadas espécies animais das quais não havia registo de avistamento em determinados locais.

Por outro lado aquela que é, ou deveria ser, uma das principais ilações da Pandemia de Covid-19 prende-se com aquela que é uma das suas prováveis origens … ou seja o Covid-19 é uma zoonose … está directamente ligado ao facto de um determinado vírus que existe de forma relativamente inócua numa determinada espécie animal poder-se revelar bastante agressivo em contacto com a espécie humana. À medida que os habitates naturais vão sendo destruídos e/ou ocupados pela espécie humana, ou à medida que espécies selvagens são capturadas e retiradas do seu habitate natural (por exemplo neste caso para consumo humano) há um aumento muito substancial de situações de zoonoses poderem acontecer.
Assim sendo a Pandemia de Covid-19 deveria servir para alertar para aquilo que demasiadas pessoas e poderes políticos ainda não perceberam: a importância de proteger a preservar os habitats naturais assim como de proteger e evitar os impactos humanos negativos sobre as espécies selvagens. Se não pelo valor intrínseco que esses habitates e espécies possuem, pelo menos pelas consequências negativas para a própria espécie humana.


IMPACTOS principalmente negativos
Os impactos principalmente negativos são de alguma forma evidentes havendo claro muitos outros impactos que poderão surgir com a própria evolução da situação. Mas mais uma vez é importante salientar que de aspectos ou impactos negativos há sempre um potencial de advirem mudanças importantes e que se podem considerar positivas.

Resíduos

Descartável
Com a natural situação de “medo” instalada, nomeadamente no que diz respeito à agressividade e facilidade de propagação do COVID-19, é expectável, na verdade está já a suceder, que esta "crise" venha constituir um rude golpe para o movimento Lixo Zero ... certamente mesmo após a pandemia estar relativamente debelada vai começar a haver um apelo constante ao uso do descartável "a torto e a direito" por ser supostamente o mais higiénico ... por isso é de antever que a utilização do plástico que estava a regredir vá "voltar em força" ;O(
Dessa forma a quantidade de resíduos produzida irá muito provavelmente aumentar ainda mais … e considerando as enormes deficiências em termos de gestão e tratamento de resíduos, aliado ao “enorme” civismo da população, isso significa mais resíduos lançados nos ecossistemas naturais …

Produtos Químicos Nocivos
Com toda a situação despoletada pelo COVID-19 é provável que a higienização dos espaços com produtos químicos bastante agressivos se torne ainda mais disseminada e comum … sendo em parte compreensível a realidade é que essa realidade terá também um impacto muito significativo ao nível dos ecossistemas planetários … são quantidade brutais de produtos químicos libertados na Natureza e que irão “por arrasto” poluir por exemplo o meio aquático e potencialmente contaminar e até matar muitos outros seres … é ainda importante relembrar que existem todo um conjunto de micro-organismos, nomeadamente muitos tipos de bactérias, que na realidade são essenciais para o equilíbrio e bom funcionamento dos ecossistemas e que serão possivelmente eliminados dos mesmos …
Por isso estando instalada a tendência para “pecar por excesso” é muito provável que venham a surgir sérios desequilíbrios ao nível da composição biológica dos vários ecossistemas sendo que estou em crer que muitas vezes é esse mesmo equilíbrio que evita a proliferação descontrolada de um determinado vírus ou bactéria. Que tendem a prosperar sobretudo em meios artificiais e artificialmente climatizados.

Água
Para além da questão da água em termos qualitativos, ou seja, no que concerne à eventual contaminação da mesma por ainda mais produtos químicos nocivos há também a questão qualitativa que se prende com um aumento das práticas de lavagem dos espaços. Então é de esperar um acréscimo no consumo de água. Em muitos casos provavelmente também “em excesso”.
Investimento na Conservação da Natureza e Políticas Ambientais.
Num contexto de previsível crise económica a Conservação da Natureza e as Políticas Ambientais são vezes sem conta o “elo mais fraco” das distribuições orçamentais. Isso significa que existe uma probabilidade considerável de essas áreas, já de si com enormes dificuldades ao nível da dotação de recursos, virem a enfrentar restrições – nomeadamente ao nível económico – ainda maiores.

Crise Económica
Uma crise económica é naturalmente uma realidade que se repercute de forma negativa aos mais variados níveis. Também com o próprio cidadão individual a tender investir menos em produtos mais ecológicos. Ainda assim esta situação não pode deixar de ser vista, simultaneamente, como uma potencial oportunidade de mudança.
Por um lado um sistema económico baseado num constante crescimento (quando os recursos são cada vez mais limitados e as necessidades tangíveis são bem menores do que as necessidades “especulativas”) é um sistema caduco e que precisa urgentemente de mudar para um novo paradigma … eventualmente de “Decrescimento” … um movimento que remete para uma abordagem e modelo completamente diferente de organização social baseado na busca de um significado de vida mais profundo e menos alicerçado na acumulação material … desde logo profundamente desigual em termos geográficos, económicos, de escala social, etc.

Restrições aos Direitos Individuais
Muitas vezes observamos na história que situações de crise levam em muitas ocasiões à ascensão de forças e ideologias totalitaristas assim como a uma generalizada perda e restrição de direitos fundamentais individuais. Nesse sentido é particularmente importante estarmos atentos ao evoluir da situação enquanto cidadãos.


Um Ecoabraço e Boa Ecolução!
Pedro Jorge Pereira

PJP.ECOLUTION

Sessão sobre Relacionamentos Amorosos Conscientes (Evento de Beneficiência), 6ªfeira, 09 de Fevereiro de 2024, 19h00

  CONTEXTO: Os relacionamentos amorosos são, sem dúvida, um dos contextos literalmente mais apaixonantes da nossa existência mas, ao mesmo...