segunda-feira, 19 de julho de 2021

“COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO?” Partilha 6, BIOCENTRISMO, 2021-07

 

O principal objectivo do livro COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO? é o de “oferecer” o seu contributo para uma reflexão individual e colectiva que, acredito convictamente, poderia e deveria estar a ser efectuada durante todo este “choque”. A certos níveis creio que ela está já a acontecer mas a outros parece-me que existe uma pressão excessiva para que se tente simplesmente regressar “ao normal”, ou o mais próximo disso que conseguirmos, quase como se nada se tivesse passado … ou não houvesse nada a aprender e sobretudo … a mudar.

O livro está distribuído por áreas temáticas que têm por objectivo incidir sobre aspectos e questões que toda a situação da Pandemia do COVID-19 e crise subsequente poderá ter tido, eventualmente, o efeito de tornar ainda mais evidente. Uma reflexão fundamental no sentido de perceber potenciais linhas de mudança.

Se tiveres alguma sugestão ou ideia de alguma forma em que possas colaborar/ajudar na publicação deste projecto fico-te desde já muito grato. Abraços

Pedro Jorge Pereira


E aqui segue a “partilha” deste mês:



COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO?”

Partilha 6, BIOCENTRISMO, 2021-07

Intimamente associado a uma nova ética/paradigma encontra-se a forma como nós, enquanto espécie humana, olhamos para as outras espécies e para o próprio planeta no seu todo. Cingindo a análise particularmente ao chamado “Mundo Ocidental” … que de alguma forma tem vindo a liderar o processo de globalização … podemos afirmar com um grau elevado de segurança que a matriz dominante tem sido essencialmente antropocêntrica. Dito por outras palavras e seguindo um pensamento profundamente associado aos paradigmas religiosos dominantes, a espécie humana coloca-se a si mesma no centro da vida no Planeta Terra e assume possuir perante essa uma considerável superioridade ética e moral. Essa superioridade como que legitima a forma como esta se relaciona e explora as outras espécies … como as subjuga e submete a um inarrável grau de sofrimento e de exploração. Ou seja, creio que não é arriscado afirmar que essa postura antropocêntrica é uma das principais razões que explicam o elevado grau de destruição dos ecossistemas naturais. Nesse aspecto creio que essa mesma cultura “ocidental” teria imenso a aprender com as chamadas culturas indígenas. É muito frequente quando observamos a forma de estar e ser dessas tribos confrontarmos-nos com uma postura filosófica completamente diferente, no sentido em que é muito mais frequente observamos uma matriz filosófica predominantemente biocêntrico e não antropocêntrico. A espécie humana mesmo que possua uma superioridade prática em relação às outras espécies, mesmo que exerça um certo nível de exploração, efectivamente coloca-se ou percepciona-se numa posição muito mais humilde e de muito maior respeito relativamente às outras espécies e ao ecossistema no seu todo. Tende a percepcionar-se como um filho da Mãe Natureza e não como o seu amo e senhor. Tende a percepcionar as outras espécies como que “irmãos” e em várias situações ocorrem por exemplo importantes rituais de agradecimento ao animal “irmão” que é abatido para alimentar os membros da tribo. Há também uma postura de muito maior humildade no sentido de não retirar de natureza mais do que o estritamente necessário. O que representa uma realidade completamente diferente da postura exacerbadamente “extractivista” no mundo industrial … em que praticamente não se concebem limites àquilo que se pode e deve retirar da Natureza … particularmente numa perspectiva de gerar um lucro constante e mais uma vez também numa óptica moral do “ser humano” estar aqui para controlar e dominar o planeta. Do ser humano ser superior a todas as outras espécies.

Na minha humilde opinião estou convicto de que dificilmente podemos esperar um mundo efectivamente diferente enquanto essa postura antropocêntrica de alguma forma prevalecer.

Podemos até acreditar que em função de todo a evolução tecnológica das últimas décadas a espécie humana se tornou dona e senhora do planeta … se tornou capaz de controlar toda a vida no planeta …

Mesmo sendo inegável que vivemos possivelmente uma época sem precedentes … nomeadamente no que concerne à capacidade do ser humano em utilizar soluções tecnológicas para suplantar por exemplo os próprios limites e factores naturais … a verdade é que é uma ilusão acreditar que este transcendeu por completo esses limites … desde logo o da mortalidade. Podemos ter uma esperança média de vida em geral superior à dos nossos avós, bastante superior até mas … nem por isso deixarmos de viver numa condição iminentemente frágil face por exemplo à nossa própria mortalidade.

Para além disso quando observamos a magnitude de uma catástrofe natural … de um sismo, de um furacão, de um “tsunami”, da erupção de um vulcão … é verdade que devido aos avanços tecnológicos provavelmente o nível de destruição causado por qualquer uma dessas catástrofes tende a ser menor … mas nem por isso menos … catastrófico em muitos casos.

É ainda importante salientar que é muito subjectivo falar dos avanços tecnológicos da nossa civilização quando o acesso a essa mesma tecnologia é ainda tão díspar …

Há milhões de seres no nosso planeta que não têm acesso a bens, nomeadamente meios tecnológicos, que para nós parece do mais elementar direito.

A verdade é que imersos que estamos na nossa própria realidade, torna-se difícil projectarmos-nos de forma a conseguirmos compreender minimamente a realidade dos outros. E a verdade é que tantas e tantas vezes estamos longe, muito longe, de conseguir imaginar e projectarmos-nos no sentido de perceber sequer minimamente o que é estar no lugar desses seres.

Dito de outra forma, creio que não estou a proferir nenhuma heresia se afirmar que a muitos níveis no essencial somos verdadeiros privilegiados.

E voltando à questão das catástrofes naturais e se calhar não tão “naturais”, se considerarmos que factores verdadeiramente antropogénicos acontecem cada vez mais (nomeadamente no contexto das alterações climáticas), também a esse nível os impactos são muito diferentes e tão mais “catastróficos” quanto menores forem as condições operacionais e logísticas, tecnológicas também, desses países para responder a um cenário de crise.

Então a verdade é que, em larga medida, continuarmos a estar longe de conseguir efectivamente controlar muitos factores e acontecimentos de ordem natural. Uma constação que poderia servir no minimo para questionarmos a validade moral do pensamento antropocêntrico.

Talvez as coisas estejam efectivamente a mudar e comece a haver uma procura por parte de alguns indíviduos e pequenos grupos da nossa sociedade por uma matriz e particularmente por estilos de vida que no essencial estão muito mais alinhados com uma forma de ser e pensar biocêntrica do que propriamente com o pensamento/padrão antropocêntrico dominante … e parece-me que esse caminho é sem sombra de dúvida o que faz cada vez mais sentido.


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quarta-feira, 23 de junho de 2021

Ecoliza-te, Ep.5 Como ter uma pequena horta no nossoa apartamento?, por PJP


 

E aqui segue mais uma vídeo/reflexão do Projecto PJP.ECOLUTION,


Ecoliza-te, Ep.5 Como ter uma pequena horta no nossoa apartamento?, por PJP


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Obrigado e Boa Ecolução!!!


Alguns dados:


Estima-se que em 2025 cerca de 65% da população mundial viverá em cidades. Será que as nossas cidades têm que ser necessariamente espaços artificializados e improdutivos? O que será que podemos fazer para tornar as cidades habitats mais equilibrados e de alguma forma “naturais”?


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É um projecto que tem como principais objectivos, alicerçados numa profunda consciência espiritual e planetária, a mudança e o desenvolvimento pessoal e colectivo. Caracteriza-se por áreas de incidência tais como o ecologismo, o desenvolvimento integral e a consciência humana.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Solstício de Verão I 21-06-2021


O “Dia Mais Longo do Ano”.

Desde tempos ancestrais os povos antigos marcam toda a sua cadência, vida e ciclos pelos astros e pelas estações. Deixamos de o fazer por termos perdido tanto da nossa relação ancestral aos astros e à própria Natureza.

O Solstício de Verão é um dos momentos mais mágicos e místicos do ano. É o início da estação em que o Deus Sol nos toca com toda a sua pujança e vitalidade.

É tempo de expansão, de mais uma vez, em mais um ciclo, “queimarmos” o que excede e redunda em nossa vida. É tempo de abandonarmos memórias, vícios, complexos, traumas que nos impedem de exprimir toda a nossa plenitude e potencial. Abandonarmos com toda a gratidão por nos terem permitido aprender, reconhecer, evoluir.

É tempo de exprimirmos em todo o esplendor de nosso ser, de nosso corpo, de nossa alma, o que no mais íntimo de nossa existência sonhamos e queremos ser.

É tempo de viagens. De viagens que nos levem na busca e concretização dos nossos sonhos, visões e legítimas aspirações a uma humanidade mais fraterna e consciente.

Celebremos pois o Solstício e saltemos a fogueira onde arde um passado que agora parte para sempre.


#solstício #solstíciodeverão #soprosdaterra #ciclosdaterra #summersolstice #verão #summer #praia #beach #mar #sea #oceano #ocean #ciclosancestrais

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segunda-feira, 14 de junho de 2021

“COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO?” Partilha 5, HABITAÇÃO COLECTIVA

 

 

O principal objectivo do livro COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO? é o de “oferecer” o seu contributo para uma reflexão individual e colectiva que, acredito convictamente, poderia e deveria estar a ser efectuada durante todo este “choque”. A certos níveis creio que ela está já a acontecer mas a outros parece-me que existe uma pressão excessiva para que se tente simplesmente regressar “ao normal”, ou o mais próximo disso que conseguirmos, quase como se nada se tivesse passado … ou não houvesse nada a aprender e sobretudo … a mudar.

O livro está distribuído por áreas temáticas que têm por objectivo incidir sobre aspectos e questões que toda a situação da Pandemia do COVID-19 e crise subsequente poderá ter tido, eventualmente, o efeito de tornar ainda mais evidente. Uma reflexão fundamental no sentido de perceber potenciais linhas de mudança.

Se tiveres alguma sugestão ou ideia de alguma forma em que possas colaborar/ajudar na publicação deste projecto fico-te desde já muito grato. Abraços

Pedro Jorge Pereira


E aqui segue a “partilha” deste mês:


Partilha 5, HABITAÇÃO COLECTIVA, 2021-06

Outras das questões fundamentais quando falamos de habitação prende-se com o modelo dominante de habitação individual. Claro que, mesmo aceitando essa realidade, é um conceito de habituação individual limitado … sobretudo se considerarmos que hoje em dia uma grande quantidade das pessoas, eventualmente até a maioria, vive em edifícios partilhados, condomínios. É certo que habitualmente tratasse de uma realidade “circunstancial” e que não deriva necessariamente da vontade e determinação das pessoas em partilharem, ainda que parcialmente, o edifício onde habitam com outras pessoas. No entanto, de forma mais ou menos voluntária, o facto é que o fazem. Aliás, o próprio conceito de “condomínio” radica num modelo de gestão e habitação que se pode considerar colectiva. Pelo menos na sua vertente mais directa que é a da gestão dos espaços e equipamentos colectivos de um determinado edifício ou urbanização.

Por isso quando se fala em modelos de habitação colectiva não se está a falar de algo extremamente abstracto ou “longínquo” mas de algo que, em boa verdade, é uma possibilidade mais “próxima” e viável do que numa primeira análise poderíamos pensar.

Creio então que uma das “revoluções” com maior potencial prende-se precisamente com uma mudança desse paradigma ainda dominante de habitação individual. Parece-me que a habitação colectiva “tencional”, sobretudo se considerarmos a tremenda margem de crescimento que possui, será cada vez mais uma realidade. Ainda que “marginal” mas … uma realidade.

Se analisarmos a própria história esse é o modelo de habitação e mesmo organização social mais primordial e diria até … natural. Na história da humanidade o indivíduo evoluiu integrado em comunidades. Eventualmente em pequenos núcleos habitacionais que foram crescendo ao longo da história com especial ênfase no período pós Revolução Industrial, que de certa maneira deu origem às “grandes metrópoles”. Apesar de no período antecedente haver já alguns aglomerados populacionais que se poderia considerar como correspondendo a esse conceito. No entanto não constituíam a maioria, bem pelo contrário.

Do ponto de vista da inteligência na utilização e economia de recursos a habitação colectiva é de enorme pertinência e em certa medida pode-se afirmar que é o modelo que em boa verdade faz efectivamente “sentido”. Ou pelo menos mais sentido. Chegados a este ponto mais uma vez temos que referir como aspecto chave de referência o conceito do “individualismo” capitalista. A ideia de que cada um tem que ter um certo conjunto de bens e objectos como elemento de afirmação social é evidentemente de uma enorme ineficiência e até estupidez na utilização desses bens e objectivos.

Porque é que cada um tem que ter uma televisão, um carro, isto e mais aquilo?

Para além do elevado custo económico inerente à aquisição e manutenção desses objectos e equipamentos há evidentemente o elevado custo ecológico. O impacto ecológico sobre os ecossistemas naturais é brutal e simplesmente incomportável se todos os habitantes do planeta aspirarem a possuir esse conjunto de objectos e bens …

Um exemplo muito claro disso é o do próprio veículo automóvel … já que a tantos níveis possuí uim brutal impacto ecológico.

Assim sendo faz cada vez mais sentido o desenvolvimento e colocação em prática de modelos de partilha e utilização colectiva. Mesmo de equipamentos cuja utilização colectiva parece à partida mais difícil como o veículo automóvel.

Claro que um das principais questões que se coloca é a das eventuais dificuldades, ou melhor, prováveis dificuldades em conseguir desenvolver relações harmoniosas com outras pessoas sendo o grau de “implicação” tão elevado, estando-nos a referir à partilha do próprio espaço doméstico. O facto de ser difícil, ou o facto de ter uma implicação tão elevada, em nada inviabiliza essa hipótese. Na verdade podemos até afirmar que esse processo de desenvolvimento de relações e dinâmicas de relacionamento social, gestão de conflitos, etc. tem também um tremendo potencial de crescimento pessoal e colectivo. É um processo que se torna tão mais “orgânico” quanto maior for o número de casos e exemplos que demonstrem de uma forma concreta como é que se pode viver efectivamente em comunidade.

É também importante referir que eventualmente não existe “um modelo” de habitação colectiva mas sim dezenas, senão mesmo centenas de modelos possíveis. Cada um deles com um diferente nível de “implicação”. Pode ir desde modelos que efectivamente pouco diferem de um “normal” condomínio a situações de vida e partilha profundamente “comunitárias” ou se quisermos (apesar da conotação “pesada” que foi atribuída a essa designação pela forma como foi usado pelos regimes totalitaristas ditos socialistas) … comunistas. Onde praticamente todos os bens são utilizados de forma colectiva. Não há um modelo certo ou um modelo errado … existem muitos modelos possíveis ajustados à realidade concreta de cada grupo que decide viver de forma colectiva ou se preferirmos … comunitária.



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terça-feira, 8 de junho de 2021

Eu passadiço, tu passadices, eles passadicem...

 

por Pedro Jorge Pereira

Junho de 2021


Ao longo dos últimos séculos a população humana tem vindo a apropriar-se cada vez em maior escala dos habitats ditos ainda “naturais”, com consequências habitualmente desastrosas para estes. Na verdade o ritmo de destruição por exemplo das florestas nativas ou da perda da biodiversidade é absolutamente aterrador.

Cá por Portugal, ainda que não registando a dimensão catastrófica da destruição ecológica de outros locais (se pensarmos por exemplo nas florestas tropicais), o panorama não é propriamente muito mais animador.

Entre a substituição/destruição da floresta autóctone por plantações intensivas de espécies de crescimento rápido (com natural destaque para a praga do eucalipto), a proliferação de auto-estradas por tudo o que é canto e consequentes impactos, a artificialização dos espaços verdes, a agricultura confundida com monocultura intensiva a “bombar” pesticidas e fertilizantes de síntese pelas nossas terras, a poluição dos diversos cursos de água, a pressão humana na linha costeira, os resíduos sólidos urbanos produzidos em ritmo alucinado, a betonização dos últimos rios ainda relativamente em estado “selvagem”, etc., o que não falta é por onde escolher no cardápio dos maiores atentados ecológicos no país. Ao que parece somos mesmo bons a desprezar e a mal-tratar a Natureza.

Não obstante nos últimos anos aparentemente as coisas têm melhorado um pouco … aparentemente existe um pouco mais de consciência ecológica e, por outro lado, as condições ao nível de infraestruturas básicas (por exemplo saneamento) verificaram alguma evolução.

Partindo da premissa de que a alguns níveis a evolução foi efectivamente positiva, uma das questões mais pertinentes que se coloca é a de se a população portuguesa se tornou ambientalmente mais consciente?

Ao que parece existe uma aparente maior valorização dos espaços naturais tendo surgido bastantes projectos cujo intuito pretende ser a requalificação de espaços ditos naturais, ou semi-naturais e a criação por exemplo de parques. Muitos deles parques urbanos para usufruto da população e para alguma recuperação ecológica de habitats …

Aparentemente as pessoas também valorizam mais a Natureza na medida em que as chamadas actividades de “ar-livre” como por exemplo a caminhada são cada vez mais procuradas.

O contacto com a Natureza tem efectivamente o potencial de se constituir como um dos principais meios de sensibilização e educação ambiental. Conhecer a Natureza, compreender as suas dinâmicas, sentir toda a sua essência, etc. Mas a verdade é que o contacto com a Natureza por si só está longe de constituir a “garantia” de uma efectiva sensibilização ou aumento da consciência ambiental por parte de quem a procura. A maior evidência disso são os badalhocos que deixam lá ficar o seu lixo como prova cabal de sua boçalidade. Tudo depende em larga medida da sensibilidade e receptividade das pessoas. A verdade é que vezes sem conta essa sensibilidade e receptividade não é propriamente a maior e a postura de quem usufrui dos espaços ditos “naturais”, ou relativamente naturais, não é verdadeiramente de contemplação, admiração ou até do mais elementar respeito.

Pois bem … mas a que propósito surgem todas estas reflexões? A resposta é bastante simples … todas estas reflexões surgem com o intuito de uma reflexão mais ampla a propósito dos ditos … “passadiços”, que têm vindo a proliferar por todo o país.

A motivação inicial para a construção dos passadiços até começou por ser boa. A ideia seria por exemplo nas zonas dunares de evitar o pisoteio da já de si frágil flora dunar, habitualmente arrasada por milhares de veraneantes durante sobretudo as épocas balneares. Mas aquilo que começou por ter uma motivação positiva rapidamente redundou em mais uma forma de aumentar a carga e impactos negativos humanos sobre os habitats naturais ou relativamente naturais.

Nos últimos anos então … os passadiços (e afins) tornaram-se inicialmente numa moda até ao ponto de constituírem actualmente uma autêntica praga. É como se os responsáveis autárquicos já não conseguissem conceber meios de fruição dos espaços naturais sem “espetarem” um passadiço, ou muitos passadiços, na paisagem. Em jeito de “bónus”, aos passadiços têm vindo a acrescentar mega-baloiços, caderinhas e o mais que o génio “pimba” de alguns iluminados tem tido o condão de trazer ao mundo e de “espetar” nas paisagens do país. Como se a própria paisagem, ou a Natureza em redor, não tivesse valor por si só. Como se precisasse dos “brinquedos” mais “fetichistas” que o génio humano é capaz de conceber para ter valor. Ironicamente essa mesma “paisagem” permanece em muitas dessas situações completamente abandonada e um monumento vivo às espécies invasoras ou à desertificação do solo.

Parece que se esqueceram, por exemplo, que durante séculos os seres humanos já caminhavam e interagiam com “a paisagem” através de meios de muito menor impacto como os próprios caminhos pedestres.

Aquilo que é mais importante são caminhos pedestres bem sinalizados mas sobretudo projectos de valorização e regeneração ecológica das paisagens percorridas por esses mesmos caminhos. Na verdade os passadiços não só não contribuem para essa valorização e regeneração como tantas e tantas vezes têm precisamente o efeito oposto: O de produzir uma carga paisagística e logística pesadíssima em locais em muitas circunstâncias de elevada sensibilidade ecológica. Por outro lado são uma autêntica “auto-estrada” aberta para atrair para esses mesmos locais hordas barulhentas e até bárbaras de pessoas cuja sensibilidade ecológica e respeito pela Natureza é semelhante à sensibilidade de um adepto da música pimba por Bach.

Um verdadeiro projecto de regeneração ecológica passa em larga medida pela criação de condições propícias à fixação e desenvolvimento da flora autóctone … passa muitas vezes pela plantação de árvores autóctones. Ora um bom projecto dessa índole tem por inerência um horizonte temporal de longo prazo … logo um horizonte muito para além dos ciclos eleitorais. E esse é precisamente talvez o principal propósito de um passadiço: o de constituir-se como prova de “obra feita” para fins eleitorais … daí a ter-se gerado uma verdadeira “corrida ao passadiço” foi um instantinho e chegamos a este ponto de os ver plantados por todo o lado, acabando por se constituir um elemento pesadíssimo e “estranho” numa paisagem para a qual deveria sensibilizar.

Mas que paisagem é essa? Essa é outra questão … muitas vezes fazem-se passadiços para contemplar … eucaliptais até perder de vista e outras paisagens profundamente deterioradas.

Mas não faz mal. Tudo o que importa são os exercício de imaginação pimba mais elaborados com o propósito de aumentar o “números” de visitantes para gáudio dos fanáticos da estatística … sem que seja efectuado por exemplo qualquer estudo de impacto ambiental.

Em suma … não sou contra os passadiços por si só … em situações pontuais podem de facto ser um instrumento de ordenamento paisagístico e organização da circulação daqueles que procuram os espaços naturais ou relativamente naturais. Ou em situaçções muito pontuais uma forma de acesso a locais em circunstâncias normais inacessíveis. Mas deveriam ser uma solução pontual e não a solução primordial e da moda só porque “sim” … ou só porque “a galinha da vizinha é sempre maior que a minha” … então se as outras terras têm passadiços também quero “para a minha terra”. Estamos portanto perante uma autêntica “febre do passadiço”.

Ora os passadiços têm um custo elevado. Um custo de construção e um custo de manutenção, já que com relativa rapidez começam a apresentar sinais de desgaste e deterioração. Custam muito dinheiro e implicam um elevado investimento de recursos que podiam e deviam ser usados para aquilo que é verdadeiramente importante: a valorização e regeneração ecológica do território. É fácil ter num Domingo hordas e hordas de excursionistas barulhentos a percorrer um passadiço … mas quantas pessoas se consegue juntar por exemplo para uma acção de reflorestação? Ou de controlo de espécies invasoras? Ou para uma verdadeira acção de Educação Ambiental?

Qual delas a Natureza necessita mais? A resposta é evidente.

Por outro lado os passadiços são-nos “vendidos” com um instrumento de valorização e até de conservação da Natureza … mas será que existe algum estudo sobre os seus verdadeiros impactos?

Esse é também um aspecto fundamental: a total ausência, até ao momento, de estudos de impacto ambiental.

Chegado a este ponto ocorre-me aquela velha (e nem por isso menos actual e urgente) máxima recorrente entre os autênticos amantes da Natureza quando vão a algum local “natural”:

Não deixar mais que pegadas, não tirar mais do que fotografias e não levar mais do que recordações.”

Ora os passadiços (e outras aberrações) acabam por se constituir vezes sem conta como verdadeiros “cancros” na paisagem. Os locais “instagramáveis” (como agora está na moda dizer) não fazem mais senão do que atrair multidões a locais que não precisam de multidões mas sim de visitantes realmente conscientes e capazes de valorizar e apreciar a própria essência dos ecossistemas locais. Multidões que em muitos casos arrasam a flora local e como recordação dos seus feitos deixam aquilo que de mais prolífico a nossa dita civilização tem vindo a produzir: lixo.

Em jeito de conclusão … será que somos de facto um povo mais consciente e ecológicamente mais sensível? A alguns níveis talvez … a muitos outros parece-me que infelizmente ainda estamos muito longe desse objectivo … e os passadiços em nada, bem pelo contrário, estão a contribuir para isso.

Fica a reflexão. Fica a mensagem e fica o apelo para se a quiserem partilhar e fazer chegar a outras pessoas … óptimo. Se um só metro de passadiço inútil for evitado o esforço desta reflexão já não terá sido em vão.

Um abraço e Boa Ecolução!


(*) Formador e Activista Eco-Social, Animador Socio-Cultural. Dinamizador, entre outros, do Projecto PJP.ECOLUTION


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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Partilha 4, (RE)NATURALIZAÇÃO do CONSUMO, 2021-05

 

 

COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO?”, EDIÇÃO e PUBLICAÇÃO do LIVRO


O livro é um veículo de comunicação ancestral e poderíamos também acrescentar … intemporal. Em vários momentos de evolução tecnológica foi vaticinado o “fim do livro” mas a verdade é que essa previsão – felizmente diria – nunca se concretizou, mesmo que determinados hábitos possam ter sido criados e novos formatos tenham surgido.


Assim o principal objectivo do livro COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO? é o de “oferecer” o seu contributo para uma reflexão individual e colectiva que, acredito convictamente, poderia e deveria estar a ser efectuada durante todo este “choque”. A certos níveis creio que ela está já a acontecer mas a outros parece-me que existe uma pressão excessiva para que se tente simplesmente regressar “ao normal”, ou o mais próximo disso que conseguirmos, quase como se nada se tivesse passado … ou não houvesse nada a aprender e sobretudo … a mudar.

O livro está distribuído por áreas temáticas que têm por objectivo incidir sobre aspectos e questões que toda a situação da Pandemia do COVID-19 e crise subsequente poderá ter tido, eventualmente, o efeito de tornar ainda mais evidente. Uma reflexão fundamental no sentido de perceber potenciais linhas de mudança.

Se tiveres alguma sugestão ou ideia de alguma forma em que possas colaborar/ajudar na publicação deste projecto fico-te desde já muito grato. Abraços


Pedro Jorge Pereira


E aqui segue a “partilha” deste mês:


Partilha 4, (RE)NATURALIZAÇÃO do CONSUMO, 2021-05

Intimamente associado ao aspecto do “materialismo” … o consumo adquire por si só uma importância fulcral em toda a lógica e dinâmica do sistema capitalista global. É um sistema em larga medida “louco” na medida em que o objectivo principal é o de produzir mais e mais … e de forma completamente obstinada …

É de certa forma paradoxal que haja um consumo exacerbado que vai muito para além de necessidades reais básicas. Ou seja, consome-se muito mais do que é necessário sendo que o próprio sistema produz por definição quantidades obscenas de desperdício. Então a questão não é só o consumir em excesso mas sim também uma pequena parte da população mundial consumir em excesso e gerar constantemente níveis inadmissíveis de desperdício quando a maior parte da população mundial não tem sequer o necessário para satisfazer as suas necessidades mais elementares de alimentação, vestuário e habitação. Por isso o acesso ao consumo encontra-se fortemente distorcido e os impactos ecológicos do mesmo são também brutais.

Há por um lado um consumo desenfreado de recursos naturais, que tem levado a uma escala sem precedentes de destruição ambiental.

Por outro lado há uma produção que podemos classificar como catastrófica de resíduos que acabam, porventura na maior parte dos casos, por poluir os ecossistemas naturais … causando inclusive a morte directa ou indirecta de milhões de animais selvagens.

Então um dos impactos mais imediatos da Pandemia de Covid-19 foi o de, pelo menos por um certo período de tempo, ter levado à redução forçada dos níveis de consumo e impactos do mesmo. Não obstante ter originado contudo um aumento da utilização de produtos ditos descartáveis.


Algumas das principais ilações a retirar / principais potenciais de mudança.

Apesar de constituir uma pedra basilar do sistema neoliberal global, em que há uma completa deturpação do propósito primordial da produção: satisfazer necessidades realmente essenciais, para uma realidade em que existe toda uma indústria cujo principal propósito é o de produzir uma constante criação e amplificação de necessidades não tangíveis, o consum(ism)o tem que ser assumido como uma degenerescência que apesar de prover aos interesses capitalistas globais é, actualmente, um dos principais factores de exploração laboral e destruição ecológica.

Dito por outras palavras: o consumismo acaba actualmente por se constituir como um cancro que precisa de ser extraído se quisermos voltar a ter uma sociedade e uma lógica de consumo verdadeiramente saudável.

Claro que há ainda uma outra vertente que se relaciona com o facto do “consumismo” funcionar como um forte factor de alienação e “entretenimento” … que se inscreve num projecto ideológico neoliberal de orientar as massas e os indivíduos para esse propósito existencial de consumir … consumir torna-se mais numa finalidade existencial do que propriamente numa actividade alicerçada em necessidades reais. As pessoas investem tempo, recursos, energia no propósito de ir às compras nas grandes superfícies de consumo ou através das plataformas virtuais e, dessa forma, não questionam nem tentam modificar a lógica do sistema dominante. Na verdade enquanto os objectivos de vida se inscrevem no propósito primordial do consumo as pessoas não “perdem tempo” a pensar em questões verdadeiramente profundas e em formas de modificar o sistema dominante. Por outras palavras: tornam-se em consumidores submissos e obedientes … que não pensam (pelo menos muito), não criticam e, acima de tudo … compram, compram e compram.


1 – Urge pois reconsiderar a nossa escala de necessidades e valores, assim como tentar perceber até que ponto faz ou não sentido participarmos de forma tão desenfreada no sistema de consumo capitalista e, na medida do que for possível, e na medida das alternativas que conseguirmos ir encontrando, optar por uma maior valorização de valores realmente fundamentais do que propriamente pela aquisição inconsciente de bens materiais cuja felicidade proporcionada é profundamente efémera e até ilusória.

2 – Optar por sistemas cooperativos e comunitários de consumo. Também de habitação.

Um dos principais problemas em todo o sistema de produção e consumo prende-se com o facto da generalidade do processo, nas suas diferentes fases, ser monopolizado por grandes grupos multinacionais … o que se traduz numa grave limitação de escolhas por exemplo para os pequenos produtores … que perdem canais de escoamento e um contacto mais directo com o consumidor. Urge caminhar precisamente nesse sentido … de uma maior proximidade entre o produtor e consumidor… o que valida modelos como por exemplo o da agricultura de proximidade …

3 – Readquirir competências, ou apoiar projectos que o façam, ao nível da recuperação de determinados objectos que possam ter perdido valor na cadeia de consumo e optar sobretudo, sempre que possível, pela reparação e recuperação de objectos promovendo aquilo que se designa pela própria economia circular, evitando ou pelo menos reduzindo a aquisição constante de novos produtos.


Na verdade um longo período de tempo sem acesso a muitos dos locais de consum(ism)o habituais, com destaque para os shoppings, com a maior parte das lojas encerradas, muitos de nós acabamos por (re)descobrir que podemos viver sem um consum(ism)o desenfreado e encontrar valor e até um significado existencial mais profundo em passar tempo com aqueles que fazem parte do nosso núcleo familiar, a ler … etc.

Ou seja, se calhar muitos de nós tivemos a oportunidade de perceber que na verdade não precisamente assim de tantos bens materiais para sermos verdadeiramente felizes.

Por outro lado há também a oportunidade de desconstruir um certo mito de um constante ”produtivismo” … de termos que estar sempre a produzir algo … mas a questão é porquê e para quem? É mais importante a quantidade daquilo que produzimos ou a qualidade daquilo que produzimos na perspectiva de ser verdadeiramente útil e relevante para a sociedade?

De facto podemos viver sem uma grande parte das coisas que pensamos que precisamos. Ou que nos induzem a pensar que precisamos. Ou que nos induzem a “precisar”. E existe toda uma indústria orientada para esse propósito. E desenvolveram todo um conjunto de técnicas com esse intuito.

Nessa perspectiva é fundamental efectuarmos um exercício cada vez mais profundo e consciente de questionamento relativamente àquilo que é ou não essencial ou sequer relevante para o nosso verdadeiro bem estar.



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quarta-feira, 14 de abril de 2021

Partilha 3, 2021-04, DECRESCIMENTO, pré-publicação O Covid-19 - a melhor calamidade que nos podia ter acontecido? por Pedro Jorge Pereira

 

pré-publicação
O Covid-19 - a melhor calamidade que nos podia ter acontecido?
por Pedro Jorge Pereira 
 
Partilha 3, 2021-04
DECRESCIMENTO 
 
EDIÇÃO e PUBLICAÇÃO do LIVRO “COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO?”
O livro é um veículo de comunicação ancestral e poderíamos também acrescentar … intemporal. Em vários momentos de evolução tecnológica foi vaticinado o “fim do livro” mas a verdade é que essa previsão – felizmente diria – nunca se concretizou, mesmo que determinados hábitos possam ter sido criados e novos formatos tenham surgido.
Assim o principal objectivo do livro COVID-19: A MELHOR CALAMIDADE que NOS PODERIA TER ACONTECIDO? é o de “oferecer” o seu contributo para uma reflexão individual e colectiva que, acredito convictamente, poderia e deveria estar a ser efectuada durante todo este “choque”. A certos níveis creio que ela está já a acontecer mas a outros parece-me que existe uma pressão excessiva para que se tente simplesmente regressar “ao normal”, ou o mais próximo disso que conseguirmos, quase como se nada se tivesse passado … ou não houvesse nada a aprender e sobretudo … a mudar.
O livro está distribuído por áreas temáticas que têm por objectivo incidir sobre aspectos e questões que toda a situação da Pandemia do COVID-19 e crise subsequente poderá ter tido, eventualmente, o efeito de tornar ainda mais evidente. Nomeadamente áreas em relação às quais a nossa realidade não tem vindo a mudar porventura ao ritmo que é urgente e necessário que mude, quer a nível individual, quer a nível colectivo. 
Se tiveres alguma sugestão ou ideia de alguma forma em que possas colaborar/ajudar na publicação deste projecto fico-te desde já muito grato. Abraços
Pedro Jorge Pereira 
 
Partilha 3, 2021-04
DECRESCIMENTO 
 
O conceito de “Decrescimento” surge evidentemente de uma forma antagónica aos conceitos económicos vigentes que têm por matriz primordial um constante crescimento económico … isto mesmo num contexto em que os recursos são tudo menos … infinitos. É portanto um conceito muito revolucionário e que permite toda uma nova forma de olhar para o modelo de funcionamento económico da nossa sociedade.
Ou seja, numa perspectiva “decrescentista” o que necessitamos é justamente de reconfigurar aquilo que são as nossas verdadeiras necessidades … aquilo que é verdadeiramente relevante para um efectivo bem-estar social … e inverter esse ciclo desenfreado de constante produção e consumo … esse ciclo que se baseia num pressuposto evidentemente errado de produção e consumo … infinito …
Por outras palavras … a realidade é que muito provavelmente podemos viver melhor … mas na verdade produzindo menos e necessitando de muito menos coisas … consumindo muito menos recursos também.
A verdade é que o próprio dogma do “crescimento económico” constante e infinito radica numa abordagem completamente “extractivista” … que perspectiva a Natureza como algo do qual se pode extrair constantemente e de forma desenfreada aquilo que quisermos … no fundo um conceito profundamente antropocêntrico que assume que a Natureza existe para a mera satisfação das necessidades da espécie humana … na verdade creio que nem podemos dizer satisfação das necessidades humanas mas sim satisfação das “vontades humanas” … e claro … existe também uma tremenda subjectividade em utilizarmos o termos “humanas” porque é importante salientar as profundas desigualdades de acesso e formas diferentes de participação no processo de produção – consumo capitalista entre diferentes países, classes sociais, etc.
Precisamos pois de reestruturar por completo o modelo de funcionamento e de organização das nossas sociedades.
Claro que, sem o parecer ou até assumir, o modelo do crescimento económico constante é considerado como que um dogma intocável e apresentar um conceito diferente ou antagónico é ainda considerado como que impossível … e o espaço e visibilidade que é dado a essas alternativas de organização económica (e social) é tendencialmente muito limitada nos órgãos de comunicação social … funcionando os próprios, cada vez mais, também numa lógica essencialmente capitalista e de produção … produzir notícias para consumo … para gerar audiências … para aumentar a atractividade e valor dos espaços publicitários nesses mesmos órgãos de comunicação.
Evidentemente que esta é uma lógica profundamente neoliberal e portanto existe logo à partida um enorme “conflito de valores” e uma tendência para não permitir grande margem de expressão a uma lógica que se opõe de forma frontal ao sistema dominante. No entanto, independentemente da visibilidade ser bastante inferior à que provavelmente deveriam ter, o mais importante é que existem diversas iniciativas, movimentos, pessoas que vivem de uma forma extremamente coerente com o pensamento “decrescimentista. Em termos concretos o que isso significa é que o conceito não é uma mera concepção teórica que, ao contrário do que provavelmente apregoam os seus detractores, se vislumbra como utópica ou “desastrosa” se colocada em prática … Há de facto por exemplo comunidades que vivem e “produzem” em função daquilo que é meramente necessário e de uma forma em larga medida independente do sistema capitalista globalizado. Resumindo: comunidades e experiências que podemos afirmar como que estando a colocar em prática, mesmo às vezes sem disso terem noção, os princípios e valores do Movimento pelo Decrescimento.

Sessão sobre Relacionamentos Amorosos Conscientes (Evento de Beneficiência), 6ªfeira, 09 de Fevereiro de 2024, 19h00

  CONTEXTO: Os relacionamentos amorosos são, sem dúvida, um dos contextos literalmente mais apaixonantes da nossa existência mas, ao mesmo...