quinta-feira, 20 de junho de 2019

Solsctício de Verão 21 de Junho de 2019


O Solstício de Verão representa o momento em que a Mãe Sol (sim, em diversas culturas ancestrais o “Deus Sol” não era o “Deus Sol” mas sim a “Deusa Sol”) atinge o seu máximo vigor.
O dia “mais longo do ano” simboliza um momento de profunda mudança entre o passado e o futuro.
A “Sol”, o fogo, a matéria incandescente simboliza a força para lançar nas chamas tudo aquilo que em nossa vida “redunda” e constitui obstáculo à nossa verdadeira e profunda evolução. Porventura essência.
O Verão é para nós um convite a abrirmos o nosso coração e manifestarmos no plano social e no mundo em que vivemos todo o nosso esplendor e potencial.
É tempo de escutarmos os impulsos do nosso corpo e da nossa alma rumo a uma plena fruição da vida.
É tempo de “pularmos” as chamas da fogueira que acendemos e onde depositamos com plena gratidão a “pele” que nos serviu nas estações precedentes, mas que agora redunda …
Permite-te a sentir o “fogo” do Verão no mais profundo do teu ser. Que o Verão seja tempo de expansão e de plena vivência dos teus sonhos e objectivos mais essenciais, da tua própria essência e autenticidade. Que o Verão propicie ainda mais a aventura da tua própria descoberta e (re)descoberta. Seja em ti próprio, seja nas paixões que tanto te fazem sentir … viv@!
Que seja tempo de buscares o mais autêntico da (Mãe) Natureza dentro e fora de ti.
Desejo-te um pleno Solstício de Verão e uma plena estação estival!

Pedro Jorge Pereira – DESENVOLVIMENTO INTEGRAL

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

sentires ...


Por vezes as circunstâncias da vida não precisam necessariamente de “fazer sentido” mas sim, sobretudo, de “fazer sentir”.

PJP, 24 de Fevereiro de 2019

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Sobre o Amor ou algo assim …



Haverá algo mais ambicioso do que pretender escrever sobre o Amor?
Sim, o Amor, talvez um dos sentimentos (pode-se definir o Amor simplesmente como um sentimento?) mais poderosos… ou talvez, “o” sentimento mais poderoso que existe.

Por Amor desenrolam-se dramas, aventuras, romances e, quase me atreveria a dizer, é em torno dele que gira em larga medida a nossa existência …
É simplesmente avassaladora a forma como o Amor é susceptível de “mexer” connosco aos mais variados níveis…

Mas a principal questão que se coloca é: será que quando falamos de Amor estamos a falar verdadeiramente de Amor?

Há certos aspectos em tudo aquilo que nos dizem sobre o Amor que me “fazem pensar”…
Em primeiro lugar acredito que há uma diferença muito considerável entre Amor e paixão A paixão é impulsiva (e muitas vezes explosiva) e pode levar, de alguma forma, ao desenvolvimento de uma relação amorosa…ou seja, creio que a paixão poderá evoluir para se tornar em algo mais profundo como…o Amor. Ou não…
Portanto, muito mais do que algo que se sente de forma intrínseca, o Amor é um processo que se desenvolve algo que se alimentado e cuidado poderá conduzir, gradualmente, a esse sentimento tão profundo, quase transcendente …
Ainda assim confesso a minha tremenda impotência perante tão hérculea tarefa como a de definir isso do que é o Amor …

Talvez o mais fácil e lógico seja definir o Amor através da definição daquilo que, creio, não é o Amor.

Quando algum dos elementos envolvidos numa relação dita amorosa sente que deve terminar a relação porque é o que faz mais sentido para a sua vida - ou seja porque outro motivo for - frequentemente a reacção do outro elemento é de… ódio … ou seja, supostamente existe um Amor enorme mas quando alguém decide que o melhor para si é o de prosseguir o seu próprio caminho então esse dito Amor transforma-se em ódio … A questão que se coloca é se a pessoa que agora odeia a outra, alguma vez a terá amado verdadeiramente? Pode-se chamar Amor a algo tão condicionado pela forma como a outra pessoa age ou não em função daquilo que achamos que é melhor para nós…não respeitando necessariamente aquilo que é melhor para ele/ela?

Ou seja, parece que só amamos a outra pessoa se ela nos amar da forma que nós queremos e não necessariamente da forma que é mais autêntica e verdadeira para ela … isso é Amor verdadeiro?
Pessoalmente tendo a acreditar que o conceito que mais se aproxima e interelaciona com o Amor é … o de Liberdade. Amor é a liberdade de aprender, caminhar e viver numa parceria amorosa … enquanto ambos/ambas quiserem muito, muito mesmo talvez … e uma relação amorosa verdadeira e profunda tem necessariamente que nascer de uma forte motivação para conhecer, aprender, estudar, contemplar @ outr@ … e aceitá-l@ em toda a sua autenticidade e essência … se não formos capazes de amar aquilo que @ outr@ verdadeiramente é então a questão que se coloca é se estaremos a amar verdadeiramente @ @utro ou a amar aquilo que queremos que @ outr@ seja? Porque supostamente é aquilo que se coaduna melhor com as nossas expectativas e desejos…

Resumindo e concluindo … estou convicto de que existe uma enorme confusão sobre o conceito de Amor. Posse, dependência, ciúme e até o ódio são, paradoxalmente, habitualmente confundidos com o que é verdadeiramente o Amor. O que é evidentemente um enorme equívoco e, diria até, um profundo desconhecimento.

Mas na verdade este artigo não era para ser necessariamente de forma tão específica sobre o Amor. Surgiu da intenção de escrever mais em concreto sobre a moda dos cadeados nas pontes (e não só).

Desde há alguns anos para cá virou moda os casais de namorados colocarem um cadeado, com os nomes de ambos os parceiros gravados, preso às grades de uma ponte. Suponho que a moda terá começado, ou pelo menos será o local mais conhecido, em Paris, numa das “românticas” pontes sobre o Sena.
O simbolismo da ponte como algo que une duas margens é evidente, e até tem “a sua piada” … o simbolismo do cadeado suponho, que também será mais ou menos óbvio: é o da união, uma união vitalícia, eterna e irreversível... já que, pelo que sei, faz também parte da tradição atirar as chaves do cadeado ao rio.

Para além do óbvio prejuízo ambiental da questão, questiono-me: mas porquê atirar as chaves ao rio? Porque o Amor tem que ser visto como algo vitalício? O Amor até pode ser … mas uma relação não tem que o ser só “porque sim”. Porque as pessoas casam-se e é suposto serem felizes para sempre. Mas isso não só não acontece sempre como tantas e tantas vezes sucede precisamente o oposto: em prol da “obrigatoriedade” de permanecerem junt@s porque têm um vínculo mais ou menos matrimonial, a realidade é que muitas pessoas contribuem grandemente para se fazerem reciprocamente infelizes …

A vida é profundamente dinâmica e constantemente em mudança. Enquanto indivíduos experimentamos igualmente muitas mudanças ao longo da vida. Então pode acontecer que essas vivências, descobertas, aprendizagens, vicissitudes operem em nós alterações de padrões de pensamento, visões, valores, propósitos, etc. E essas mudanças podem levar a um afastamento e desfasamento / incompatibilidade naquilo que são os propósitos e valores de duas pessoas … e pode perfeitamente acontecer, e acontece frequentemente, que uma pessoa esteja a constituir mais um obstáculo naquilo que outra quer ser e fazer do que propriamente o contrário.
Se, após todas essas vicissitudes, ambas as pessoas se continuam a sentir perfeitamente felizes junt@s, óptimo. Se continua a existir um propósito mais amplo de crescimento e aprendizagem, excelente. Mas se isso deixa de acontecer então porquê persistir em prolongar algo que deixou a vários níveis de “fazer sentido”?
O cadeado, a meu ver, é um símbolo perfeito de algo que se quer “petrificar”, aprisionar…algo contrário, portanto, à própria essência do Amor e até da própria vida. Para além de que sendo algo que representa um “aprisionamento” é oposto, a meu ver, à mais pura e profunda essência do Amor: a Liberdade.

Então em vez da “modinha dos cadeados” talvez fosse interessante os namorados, os amantes, optarem por símbolos de união mais criativos. E aproveito o balanço até para deixar uma sugestão: porque não plantar uma árvore (ou muitas árvores) autóctones em conjunto? Um dia, quem sabe, essa árvore irá crescer e ser um bonito símbolo daquilo que foi ou é a união da vida de duas pessoas. E mesmo que essas pessoas, por alguma razão, não permaneçam juntas enquanto “casal” dessa relação terá resultado algo verdadeiramente útil e belo … para a vida das pessoas (uma relação é sempre um contexto extraordinário de potencial aprendizagem) e para a Natureza também. Convém evitar, no caso de entretanto estarem envolvid@s noutra relação, de fornecer a localização da árvore ao novo/ à nova parceir@ … isto porque os ciúmes são lixados e porque as árvores autóctones já têm inimigos que chegue.

Claro que os ciúmes, sendo um instinto algo básico, não deixa também de ser algo que geralmente constitui um enorme obstáculo a uma relação de profunda confiança e entrega. Ou seja, é normal sentirmos ciúmes mas se permitimos que eles se manifestem ostensivamente a tendência será a de ocuparem um espaço vital que, numa relação saudável, deveria propiciar outro género de aspectos, como a já referida confiança e liberdade.

Em relação à árvore plantada…é também normal sentirmos ciúmes d@s parceir@s anteriores d@ noss@ parceir@ actualmas a verdade é que, se não fosse ele/ela, @ noss@ parceir@ não seria aquilo que é hoje…e esse é um propósitos mais primordiais de uma relação: a aprendizagem, o confronto com as nossas próprias sombras e, claro, experienciarmos o Amor num dos estados mais belos e profundos que existem: no contexto de uma relação amorosa.
Isto tudo para dizer que devemos aprender a contemplar a árvore plantada pel@ nossa parceir@ e @ anterior parceir@ em toda a sua beleza e poesia. E por certo será sempre mais bela do que um cadeado, com dois nomes riscados, preso numa ponte.
A ideia da árvore é só uma sugestão entre muitas outras ideias e hipóteses para a demonstração de uma união de uma forma mais interessante e benéfica para o próprio planeta. A criatividade humana não tem limites … infelizmente a estupidez humana também não e, ainda a propósito das árvores, e ainda a propósito de “casalinhos”, não posso deixar de lançar um sentido apelo: por favor, parem com a estúpida tradição de riscar os nomes dos membros de um casal nos troncos das árvores … é que é uma tradição que consegue ser ainda mais estúpida do que a dos cadeados … quem contempla verdadeiramente uma árvore gosta de o fazer na plenitude da sua integridade e não com uns gatafunhos foleiros que nos informam de que o Quim ama a Milocas, em 17 do 04 de 2013. A sério Quim, a sério Milocas, a humanidade consegue passar bem sem essa informação e a árvore ainda melhor sem uns gatafunhos feiosos em jeito de tatuagem barata.

Está feito o apelomil e uma formas belas e profundas de manifestar o nosso Amor por alguéme todas elas são infinitamente mais inteligentes, puras e criativas do que um cadeado numa ponte.
Afinal de contas saber Amar é também isso: saber surpreender, saber ser criativ@ e encontrar várias formas de nutrir uma semente frágil mas orgânica. E muitas dessas formas podem ser bastante simples e simultaneamente profundamente valiosas e carregadas de significado.
Surpreendam e surpreendam-se, preferencialmente sem mais cadeados!


Pedro Jorge Pereira
14 de Fevereiro de 2019

PJP - Desenvolvimento Integral
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Correcção e Sugestões Ortográficas: Sofia Barradas

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Solstício de Inverno – 21 de Dezembro de 2018


Solstício de Inverno – 21 de Dezembro de 2018

O Inverno chega. Com ele toda a sua melancolia, serenidade e também introspecção.
Observa como toda a Natureza se aquieta e silencia …
um silêncio ainda assim repleto de vida … por muito adormecida que ela possa de alguma forma estar …
O Inverno chega e é tempo de invernar …
De aceitares a tranquilidade das folhas no chão … que hão-de gerar vida … a seu tempo.
É tempo de te deixares tocar pelo pôr-do-sol invernal … feito de luzes e cores tão particulares.
Que possas abraçar a vida com tudo o que ela tem para te dar … seja o frio, seja toda a melancolia de um dia de Inverno … como só o Inverno tem para nos oferecer …
Abraça o caminho que a vida te propõem, ainda que pedregoso, árduo, por vezes aparentemente intransponível …
Bem-Vindo ao Inverno …
Tempo de contemplar o divino astro solar na sua mais fugaz, mas profundamente intensa, aparição ..
Tempo de Invernar …

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Palestra: Destralhando a Sua Vida – Acumulação e outras tendências, 20 de Novembro de 2018, 3ªfeira, na Mindalia Televisão


 
20 de Novembro, Palestra: Destralhando a Sua Vida – Acumulação e outras tendências, na Mindalia Televisão

Será já na próxima 3ªfeira, 20 de Novembro, às 21h00 (hora de Portugal continental) que terei o enorme prazer de dinamizar a Palestra: Destralhando a Sua Vida – Acumulação e outras tendências, em directo na Mindalia Televisão. Agradeço claro a melhor divulgação junto de quem considerarem que possa beneficiar desta conferência. Muito obrigado e até 3ªfeira!

Entretanto, caso ainda não o tenham feito, recomendo vivamente que façam “gosto” e subscrevam a Mindália Televisão

e claro, PJP – Desenvolvimento Integral

Abraços grandes e lembrem-se: pequenos gestos fazem tantas e tantas vezes uma enorme diferença!

PJP – Desenvolvimento Integral

terça-feira, 6 de novembro de 2018

“Destralhando” a sua vida


 
por Pedro Jorge Pereira – Desenvolvimento Integral

"A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos." Thomas Handy

Vivemos numa sociedade de consumo onde, como a própria designação indica, somos constantemente incentivados a consumir. Uma actividade que, diga-se, não tem o propósito - numa grande parte das situações - de satisfazer alguma necessidade concreta mas sim unicamente a finalidade de … consumir. Assim sendo coloca-se a questão: porque é que a sensação de “vazio” existencial é tão comum numa sociedade que consome de uma forma tão desenfreada?
Por outras palavras, se o consumo é de facto a chave para a felicidade porque é que, por exemplo, a utilização de anti-depressivos, calmantes e medicamentos análogos é tão elevada nas designadas sociedades industrializadas? A resposta, como em tantas outras circunstâncias, reside na própria questão: o vazio existencial e o sentimento de depressão, frustração, etc. são tão frequentes na sociedade de consumo porque, evidentemente, o consumo está muito longe de proporcionar, por si mesmo, uma felicidade verdadeira e sustentada.

Todos nós precisamos de usufruir de um determinado conjunto de bens e serviços de forma a podermos assegurar, primeiro, a própria existência e, depois, um considerável nível de conforto.
As possibilidades de aprofundarmos o processo de auto-conhecimento e desenvolvimento espiritual podem tender a diminuir se as nossas prioridades forem encontrar formas de simplesmente sobreviver. Sem prejuízo de haver diversos exemplos de indivíduos e movimentos que procuram na frugalidade - e até no próprio ascetismo - uma forma de evolução espiritual. É uma opção perfeitamente válida que, porventura, não funcionará de forma igual para todos.
Pessoalmente tendo a acreditar que não é necessário quase como que renunciarmos ao “mundo material” para que seja possível evoluir espiritualmente, ou até de tornarmos nesse o nosso principal foco existencial. O essencial da questão passará, a meu ver, por encontrar um equilíbrio entre ambas as dimensões.
Aquilo que acontece de forma bastante frequente na nossa sociedade é uma excessiva preponderância da dimensão “material”, levando a um estilo de vida que, apesar de poder proporcionar uma aparente e momentânea felicidade é, na realidade, bastante ilusório.

A satisfação que advém da aquisição de determinado produto, – vezes sem conta de algum produto não verdadeiramente necessário, – só dura alguns instantes…sendo, de forma quase imediata, substituída pelo “desejo” de aquisição de um novo produto.
Então o que acontece é darmos por nós num ciclo interminável de desejo – consumo. Um ciclo explorado e estimulado até à exaustão pela sociedade mercantil que nos rodeia através de mil e uma estratégias e instrumentos de marketing.
Acabamos por viver com esse propósito primordial de trabalhar para ganhar dinheiro. Viver para trabalhar, trabalhar para ganhar dinheiro, ganhar dinheiro para podermos adquirir mais e mais bens de consumo.

A noção do que é verdadeiramente importante e necessário perdeu-se entretanto algures nesse processo “viciado” e “viciante”. É talvez uma das dependências mais toleradas e até estimuladas na nossa sociedade: a dependência do próprio consumo, ou melhor dizer, do consumismo.
Um dos principais problemas é que essa febre consumista (para além de diversas consequências ao nível, por exemplo, do consumo exacerbado de recursos provindos da Natureza e outras formas de impacto ecológico: como a produção de resíduos diversos) acaba por nos distrair daquilo que é essencial: a própria vida.

Ao procurarmos a felicidade no acto do consumo, no consumo de objectos (ou serviços) – objectos muitas vezes meramente simbólicos e sinónimo de determinado estatuto, ou pseudo-estatuto, social – acabamos por não cultivar uma verdadeira e profunda felicidade que reside não necessariamente nos objectos mas sobretudo num sentimento de harmonia e paz interior em larga medida pouco dependente das circunstâncias externas.
No fundo é aquilo que se pode designar de uma tranquilidade perante os eventos e circunstâncias que sucedem na nossa vida, por muito problemáticas ou até “dramáticas” que elas por vezes possam ser. Ou seja, a nossa atitude perante as adversidades é que determina em larga medida esse sentimento de “paz” e felicidade mais profunda.
E, por outro lado, o “consumo” pode ser efectivamente um meio para nos sentirmos bem, ou ajudar a isso, mas nunca o fim único da nossa existência.
No essencial pode-se talvez afirmar que a felicidade reside muito mais em cultivar a gratidão por todas as pequenas e grandes dádivas do dia-a-dia, em valorizar as relações afectivas, do que na aquisição de determinados objectos. Mas será que são essas as nossas prioridades e objectivos de vida?

Outro dos aspectos sobre o qual gostaria de reflectir prende-se com o ciclo de aquisição – acumulação. A acumulação é uma realidade que observo de forma muito frequente.
A meu ver é também um fenómeno bastante nefasto e que obsta à nossa própria evolução. Na verdade ela também é alimentada por pensamentos ilusórios. A “acumulação” radica, entre outros aspectos, na incapacidade (que pode e deve ser “trabalhada”) de nos libertarmos das coisas que já não precisamos e de que provavelmente já não viremos a precisar.
A questão é que, para além do aspecto prático e físico do espaço que essas “tralhas” ocupam, há também uma outra dimensão - mais “filosófica” ou “espiritual”, se quisermos - de um espaço da nossa vida que continua ocupado com objectos, emoções, esquemas que são completamente redundantes e a sua não “libertação”, obsta a que “libertemos” espaço para coisas novas poderem “surgir” na nossa vida. A energia da estagnação é, evidentemente, contrária à do movimento e a acumulação de “tralhas” gera mais estagnação.

Por outro lado existe o medo de que algo possa vir ainda a ser necessário … isto porque não confíamos que, nessa altura, a nossa vida reunirá as condições necessárias para providenciar daquilo que for realmente essencial.
É evidente que, pontualmente, há determinadas coisas que podem efectivamente vir a ser úteis em determinado momento da nossa vida. Mas a questão é a diferença entre pontualmente e sistematicamente. A diferença é entre pontualmente guardarmos determinadas coisas porque há efectivamente uma probabilidade considerável de virem a ser necessárias e entre sistematicamente guardarmos tudo ou quase tudo por partimos sempre do princípio que tudo ou quase tudo vai ser ainda necessário. Muitas vezes o resultado disso é a acumulação de dezenas, centenas, milhares de objectos que, em boa verdade, nunca chegamos a usar. Numa grande parte das situações acabamos até por esquecer que eles existem…perdidos numa qualquer gaveta, armário, etc.
Quantas vezes olhamos para um objecto e perguntamos-nos: Há quanto tempo não uso isto? E se não usamos há, por exemplo, mais de um ano então não será porque efectivamente não precisamos verdadeiramente dele?

É pois fundamental cultivarmos a capacidade de regularmente nos irmos libertando das coisas. Desde coisas (objectos) propriamente ditas até “coisas” num sentido mais abstracto: situações, esquemas, vícios, etc. Um dos aspectos mais interessantes é o de cultivarmos uma atitude de “compaixão” para com aqueles que nos rodeiam…provavelmente há imensas coisas que para nós já não têm qualquer utilidade mas para outros podem ser ainda bastante úteis. Em muitas situações, felizmente, já temos aquilo que é verdadeiramente essencial e então podemos (e, dira, devemos) doar parte do que temos com outras pessoas mais “necessitadas”.
O sentimento que daí advém é tão ou mais gratificante do que o próprio sentimento de adquirir ou receber determinado bem.
Termino salientando que uma das formas mais inteligentes de não acumular é, antes de adquirir algo, questionarmos-nos até que ponto necessitamos verdadeiramente desse objecto. Ou seja, descobrirmos a simplicidade da própria vida é também um hábito extremamente saudável e que, tendencialmente, nos permite caminhar rumo a uma maior sensação de verdadeira felicidade.

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Com profunda gratidão: Pedro J. Pereira.
Sugestões Ortográficas: Sofia Barradas


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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Equinócio de Outono 2018


23 de Setembro de 2018

É tempo de contemplarmos com gratidão mais uma época estival que vivemos, sentimos e que encerra agora o seu ciclo.
As folhas amarelecem e caem no solo. No solo húmido e profundo as folhas cumprem uma outra função. Cumprem a função de alimentar o solo, cumprem a função de conterem, em si próprias, a semente do que há-de brotar. Cumprem a função de delas próprias irradiarem a vida …
É também tempo de nos libertarmos da nossa “folhagem” … de cumprimos mais um ciclo da vida encetando uma nova jornada de busca.
É tempo de também nós lançarmos sementes do que queremos que venha a brotar na nossa vida. É o tempo … é o tempo agora. É ainda o tempo de um maior recolhimento e uma ainda maior conexão com o som silencioso de mais este profundo ciclo da Natureza. Abraçando a chegada do Outono e saudando este jovem mas também velho companheiro!
É tempo do êxtase com as cores outonais, e com os silêncios das noites que se fazem mais longas.
É o tempo de voltarmos ao Outono em nossa vida, também em homenagem a todos os tantos outros que o precederam.

Sessão sobre Relacionamentos Amorosos Conscientes (Evento de Beneficiência), 6ªfeira, 09 de Fevereiro de 2024, 19h00

  CONTEXTO: Os relacionamentos amorosos são, sem dúvida, um dos contextos literalmente mais apaixonantes da nossa existência mas, ao mesmo...